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Por que os grupos espirituais sérios não perduram?

Por que os grupos espirituais sérios não perduram?

Por Thoth, 3º Patriarca Expectante

Na velha torre da Igreja, o sino anunciava a meia-noite. As batidas tinham um som de harmoniosa vibração, mas, não sei por que razão, eu estava sendo levado naquele momento a um estado de profunda melancolia, cuja invadia todo o meu ser. Era uma desusada melancolia, pois aquele sentir me era estranho, porque as outras já me eram familiares. Porque todas as vezes que procuro me ligar com meu interior sinto uma tristeza agrilhoar todo o meu ser, fico num estado apático, o raciocínio me foge, as perguntas que deveriam ser feitas não chegam a ser formuladas... Enfim, é um posicionamento “aparentemente” incômodo porque fico sem saber o que fazer, sem rumo certo, mas isso normalmente passa instantes depois. Logo em seguida se me abre como um lampejo o campo mental-visual e as coisas começam a se tornar mais compreensíveis, me dando azo a chegar a sentir uma amplitude naquilo que desejo saber...

Naquele momento eu estava sentado numa cadeira de balanço “austríaca” (aquela de assento e encosto de palhinha), gozando o repouso relaxante que me era proporcionado pela solidão do local em que me achava. As vibrações sonoras produzidas pela batida das horas me davam a oportunidade de entrar no estado já descrito. E, nesse diapasão, uma pergunta se me fora apresentada pela preocupação que estava em mente: Por que os grupos espirituais sérios não perduram?!?

Aqui está o ponto cruciante dos muitos porquês em várias questões da vida atual no que tange a grupos de estudos espirituais, comunidades, aos centros alternativos, a núcleos de desenvolvimento psico-científico etc.

Se nos reportarmos à história, veremos que tudo criado neste sentido tem uma existência efêmera, dentro do ciclo evolutivo: nascer, crescer, florescer e fenecer.

Muitos, nesse momento, hão de formular uma pergunta: Mas, Patriarca Thoth, existem centenas de Ordens, Igrejas, escolas que atingiram o apogeu... Pelo que nos consta, se tornaram verdadeiras potências econômicas e financeiras. São DONAS de acervos incalculáveis. Portanto, não vemos onde está a efemeridade, a pouca existência que o senhor fala!

Calma, calma meus amigos, dar-lhes-ei a explicação precisa:

Lamentavelmente, como sói acontecer, as coisas só funcionam bem no campo material quando são exploradas com esse objetivo, ou seja, através de pagamentos monetários, às vezes até absurdos. Então, partindo desse princípio, há realmente interesse em se trabalhar, porque através disso vêm aduzir o benefício próprio, com seu lucro financeiro, para locupletar com a conquista do PODER, da ganância acumulativa, do luxo, seu “status” etc.

Até o presente momento, eu, em particular, não vejo e nem conheço nenhuma organização, nenhum agrupamento, nenhuma Igreja, seita, corrente filosófica, credo, religião que tenha se expandido satisfatoriamente no campo evolutivo material SEM SER através do PODER MONETÁRIO... Isso é muito bom, porque é uma fonte de renda sem limites, portanto, incalculável, levando, dessa forma, o progresso e a expansão de fundos para a satisfação dos gananciosos que vendem as cousas SANTAS e a Palavra de Deus. Vejam que triste realidade... Ainda há criaturas que se sentem engrandecidas e vaidosas a ponto de falar, enfatuadas, que pertencem a essa ou aquela Ordem, com orgulho, para se valorizar. E quanto maior os poderes econômicos e financeiros das Ordens, mais são procuradas por essas espécies de criaturas que vivem através de rotulagens pomposas. Acham que com isso são projetadas, homenageadas, louvadas, engrandecidas etc. Elevando-se, cheias de orgulho, chegam a dizer: Sou isso, sou aquilo, ocupo tal cargo, sou daqueles que usam a púrpura e o ouro...

Entretanto, os pequenos grupos, os núcleos de estudos, aqueles que de início desejam algo sério, que não vivem através do dinheiro, são inúmeras vezes massacrados, destruídos nos seus ideais pelas razões óbvias que citarei.

De início, o pretendente a fazer algo, a se dedicar a um trabalho sério, parte ufano, cheio de desejos, de ideias altruísticas, pretendendo fazer isso ou aquilo, achando mesmo que pode mover e modificar a sociedade, a humanidade e, por que não dizer, o mundo.

Pobre e ilusa criatura! No fim de certo tempo cai exânime, exaurida e desiludida da própria obra que começou, como se ela fosse culpada de seu fracasso... Por quê?

Porque ele não estava preparado para pretender modificar, doutrinar, ensinar os outros. Deve envidar, em primeiro lugar, procurar fazer o que puder para modificar a SI PRÓPRIO. Porque, se assim não proceder, vai cair no crasso erro daquele que diz: “Faça o que digo, mas não faça o que faço”. Essa ilusa e hipócrita criatura quer ditar normas, quer fazer mil e uma proibições, quer pôr pesado fardo nos ombros dos outros... Mas quer para si mesmo viver faustosamente, sem ter obrigações.

Com essas enumerações e uma boa quantidade de outras mais que poderiam ser mencionadas já se pode encontrar muitas razões dos fracassos dos Grupos.

Todavia, existe ainda algo muito sério que não posso deixar de dizer, que são as causas piores dos fracassos:

a) A meu ver, a falta de PERSEVERANÇA, cuja, deve chegar às raias da obstinação. E ainda ser acicatada por uma vontade ferrenha, que pode, na falta disso, se tornar o Tendão de Aquiles, ou seja, me tornando um pouco mais explícito: O ponto VULNERÁVEL e a causa do fracasso do proponente ou grupal. E isso me faz lembrar o que costumo dizer: Muitos são os que se propõem, mas poucos se dispõem...

b) Um grupo sério de estudos espirituais não deve ser bitolado, mas sim aberto, sem preconceitos para absorver o conhecimento, sem, no entanto, se deixar levar pelos maldizentes,  pelas artimanhas do NEGATIVO,  por promessas falazes dos falsos profetas.

c) O grupo ou a pessoa devem compreender que todo conhecimento está eivado do Bem e do Mal. Isso é necessário à escolha do Livre-Arbítrio. Porém, saber que tudo que se aprende de Bem, por mais elevado que seja, não representa ter ELEVAÇÃO espiritual se não houver uma auto-TRANSFORMAÇÃO INTERIOR, ou seja, conseguir vencer seu animismo, seu EU INFERIOR. Conseguindo isso atingirá o clímax – A SABEDORIA.

d) Uma gratidão generalizada, permanente, será o combustível da chama viva do seu coração. E esse FOGO é o AMOR que irá levar ao cadinho do seu coração os metais de baixo teor: o ódio, o ciúme, traição, egoísmo etc., para transmutá-los no mais puro e reluzente ouro espiritual. Isso é ALQUIMIA DIVINA.

Estes quatro itens são, em suma, a Força Quadrangular que irá suster a pirâmide espiritual. Quanto mais o grupo ou a pessoa se dedicar a PRATICAR, mais ascensional será a pirâmide. Em síntese, termino aqui com o ensinamento do Mestre Sevãnanda: “Para vencer, o discípulo deve enamorar-se da obra”.

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