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Eu sou a Luz do Mundo

Eu sou a Luz do Mundo
Por Thoth, muito antes de se tornar o 3º Patriarca Expectante

Meu cavalo, Relâmpago, marchava de cabeça alta. Suas orelhas mexiam de forma impaciente para espantar impertinentes mutucas que o importunavam. Me deixava levar pela sua docilidade sem me dar ao trabalho de conduzi-lo pela rédea. Porque, além de ter confiança nele, me distraía vez por outra com um ramo de mato passando devagar sobre suas orelhas com a finalidade de enxotar as mutucas, lhe dando com isso um certo descanso. Tínhamos ainda uns 15 quilômetros para chegar às terras Crenaque, em Minas. Como não havia pressa, deixava que ele seguisse a sua vontade. Quando chegamos, o lusco-fusco já começava a se manifestar. Depois de tirar a sela e o baixeiro, levei-o para a cocheira e fiz uma boa escovadela sobre o lombo, deixando para banhá-lo no dia seguinte, evitando com isso que ficasse molhado à noite. Tinha um carinho especial com aquele cavalo...

Naquela parte do Rio Doce, a noite se fazia rápido, especialmente naquela época do ano. Assim, ao entrar em casa tive que acender o lampião. Morava só. O vizinho mais próximo ficava a uma boa distância. Uma senhora negra, já de meia idade, que era empregada, tinha deixado a comida pronta. Era só esquentar, o que era fácil, pois ainda restavam algumas brasas no fogão. Portanto, reavivei o fogo com poucas rachas de lenha para aquecer a comida e a água para o banho.

Depois de ter reativado minhas energias com o banho e uma frugal alimentação, saí para o quintal a fim de contemplar o céu. A noite estava escura, pois era Lua Nova, portanto, escura mesmo. Mas no firmamento não havia uma nuvem sequer. O céu era um véu de estrelas bem visíveis, dando para se admirar bem as constelações...

Apesar da quadra da Lua não ser propícia para experiências psíquicas, era amenizada pela ausência de uma densa pressão atmosférica, o que abria a oportunidade para realizar uma boa meditação ou, quiçá, algum tipo de experiência.

Naquela época eu praticava o espiritismo, estudava esoterismo e ocultismo, logo era ávido pela fenomenologia. Assim, sob a luz do lampião, lia algo sobre manifestação do mundo ASTRAL. Logo em seguida me preparei para repousar. Deixei a janela do quarto aberta, pois, na posição em que me deitava, dava para ver um pedaço do céu enquadrando muitas estrelas. Escolhi uma que cintilava bastante, fixei-me nela, entoei o AUM repetindo-o algumas vezes, em seguida iniciei um exercício respiratório entrando em profundo relax...

Dentre de algum tempo, o qual não sei precisar, comecei a ouvir o som de uma campainha e depois estalidos dentro do quarto. Tive vontade de verificar o que era, mas me lembrei que, em se tratando de experiências psíquicas, no momento de vivenciá-las o dever é controlar a curiosidade. Porque isso, na maioria das vezes, intercepta a vivência ou distorce a manifestação. Assim, deixei que as cousas corressem normalmente. Comecei a sentir enjoo no Plexo Solar e um desfalecimento ia tomando conta de mim!... Parecia que algo estava sendo retirado de mim e percebi que se tratava do meu Ectoplasma. Aos poucos fui vendo se formar um vulto de uma criatura humana. Dentre pouco tempo, ei-la em pé diante mim tão real que poderia ser palpável!...

Tratava-se de um ser másculo, de boa estatura, portador de uma beleza helênica, possuidor de uma voz modulada e de poder magnético.

De princípio, a surpresa se apossou de mim. Estive a ponto de pôr tudo a perder, proveniente à insensatez de querer me levantar para lhe reverenciar. Mas fui logo detido com seu gesto imperativo, o que me levou a permanecer quieto. Felizmente.

E a criatura falou:

—Controle suas emoções materiais, se regule com seus sentimentos de DESEJOS, especialmente no campo espiritual, sobrepondo, obviamente, os desejos de teor Negativo com os DESEJOS Positivos.

—Você, que pretende se lançar no incognoscível para ver se consegue desvendar seus mistérios, deve seguir certas regras com exatidão, porque, se tiver alguma falha, o objetivo pode não ser realizado. Assim, toda regra, todo treinamento que não venha a afetar SUA NATUREZA, levando-lhe a distúrbios neurológicos, é possível de ser efetuado. Entretanto, não se pode tomar isso ao “pé da letra”, de forma generalizada, porque nenhum ser é totalmente igual a outro, razão porque existem muitas dissonâncias, muitas neuroses. É óbvio que cada criatura deve pelo menos ter algum conhecimento de sua própria natureza, sua possibilidade e um relativo entendimento da matéria para se atrever a fazer alguma experiência desejada.

—Assim, citarei duas regras: a) NÃO TER MEDO, matar o MEDO na multiplicidade de suas manifestações. Eu sei o quanto isso é difícil. Porque não ter medo não é ser irreverente, mas, sim, é ter um grande conhecimento alicerçado com um profundo AMOR por todas as coisas e cousas. É beber permanentemente a linfa da VIDA, se deixando banhar nas cascatas do AMOR ETERNO. O medo é originário do desconhecido. Logo, quando se chega a conhecer a causa, o medo do efeito desaparece. b) A segunda regra fundamental é ser PERSEVERANTE naquilo a que se propôs – o que é válido para a parte Espiritual como para a parte material. O significado disso é ter que lutar tenazmente, sobrepondo todos os obstáculos que ardilosamente lhe serão apresentados, pois eles serão a causa da não realização dos seus desejos, levando-o, através da preguiça, da negligência, a esquecer os compromissos assumidos. A vida material, pela sua própria maneira de ser, se incumbe de desviar sua atenção dos objetivos desejados, e nada melhor para isso do que o “modus vivendi” de cada um, pois para isso somos treinados desde a mais tenra infância. Note-se que, para levar a vida que se leva, em qualquer posição, com o “status” em que se esteja, basta simplesmente viver dentro dos parâmetros materiais que se tem e que se pode ter. O resto é uma sequência dos fatos.

—Entretanto, se deseja fazer algo de especial, a luta se torna inexorável no campo de batalha interno. Todas as coisas surgem para nos atrapalhar, e a única trincheira inexpugnável que se pode ter é manter plena certeza e confiança no que Ele disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a Luz da Vida”. Quando, pois, tivermos a possibilidade de atingir esta direção, não mais precisaremos viver em busca da parte fenomenológica, porque já estaremos integrados à “Luz do Mundo”!

—Diante do que foi dito, deixo para você esta instrução como SENDA para sua evolução! Que a paz e o Amor Eterno sejam uma constante em sua vida. Adeus!

Eu estava por demais enlevado diante do acontecido, e suas palavras ainda estavam vibrando no meu Ego quando percebi que ele já estava se desintegrando. Apressado, quis lhe perguntar o seu nome, mas, que tristeza, fiquei sem saber. Nesse interregno, comecei a voltar também ao meu normal. Até hoje, decorrido mais de meio século, ainda mantenho como norma a conduta que me fora indicada.

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