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A Venerável Personalidade do Mestre Papus - Parte II

A Venerável Personalidade do Mestre Papus - Parte II

Papus com seu filho, Philippe Encausse

Reorganizador e presidente do Supremo Conselho da Ordem Martinista (1887-1916), delegado geral e mais tarde presidente da Ordem Cabalística da Rosa+Cruz. Presidente do Grupo Independente de Estudos Esotéricos e fundador da revista “A Iniciação”.
Segunda parte, de três, da biografia publicada pelo 2º Patriarca Expectante, Sri Sevãnanda Swami, quando ainda assinava Jehel, S.I.

 

No artigo anterior, dedicado ao V:: M:: Papus, descrevi, muito resumidamente, o curso de sua vida. Voltemos, pois, um pouco no tempo, para examinar, agora, as características fundamentais do caminho percorrido pelo Mestre, especialmente a parte intelectual. Já lhes disse que era médico, mas é bom destacar que, ao formar-se, o fez com brilhantíssimas qualificações e, como profissional, obteve honrosos títulos e ocupou destacados cargos, como médico consagrado dos hospitais de Paris e do Bureau Central, chefe do Laboratório de Hipnoterapia do Hospital de Caridade e outros análogos.

Seus méritos científicos ganharam grande destaque ao fazer, no campo médico, interessantes estudos sobre hipnose, sobre a aplicação clínica da teoria dos quatro temperamentos e ao tentar apresentar, de maneira ocidental e científica, a fisiologia oculta do homem, em seu livro “Ensaio de Fisiologia Sintética”.

No campo da homeopatia e da cura pela absorção “simpática” dos medicamentos, reeditou trabalhos de seu pai, químico de valor, que já havia preconizado o tratamento de certas enfermidades mediante a colocação do remédio apropriado sobre a cabeça do paciente, procedimento mais sutil que a própria homeopatia e que lembra a medicina espagírica de Paracelso.

Em suas obras, é possível encontrar diversos trechos que evidenciam seus trabalhos como alquimista prático, o que foi possível confirmar em seus títulos iniciáticos, que podemos classificar assim:

- Presidente do Grupo Independente de Estudos Esotéricos;

- Presidente do Supremo Conselho da Ordem Martinista;

- Presidente da Ordem Cabalística da Rosa+Cruz;

- Doutor em Cabala;

- Conselheiro da Sociedade Alquímica da França;

- Membro do Comitê da União Idealista Universal;

- Membro das Fraternidades H. B. de L. e H. H. F. T. L.;

- Membro das Sociedades de Ciências Psíquicas;

- Presidente da Sociedade Magnética da França, entre vários outros.


Seu labor intelectual foi, portanto, muito considerável e, coisa que devemos ter em conta muito especialmente, para ser o segredo de seu sucesso, que foi todo realizado sob um forte espírito de síntese, de união e colaboração entre todas as sociedades, fosse na pesquisa, divulgação ou iniciação real.

Unir para produzir mais, unir para servir melhor, unir para realizar, na prática, a famosa fraternidade, de que tanto se fala e tão poucos praticam, foi o trabalho essencial de Papus.

E dando por provado, em definitivo, que Papus vivenciou na prática os conceitos teóricos que havia compreendido, sentido ou visto, através de sua intensa vida de sábio, de mago e de vidente (positivo e consciente), vou procurar dar uma ideia do que me atreverei a chamar de “As Ideias de Papus”, ou seja, aquilo que me parece que possa ser considerado como sua síntese pessoal, sua doutrina vivenciada e resultante de suas experiências. Depois de meditar e vivenciar, durante muitos anos, seus ensinamentos, me atrevo a fazer esta descrição – e que o Mestre me perdoe, caso eu possa ter deformado a essência de seu pensamento. Mas creio saber que Papus tinha a firme convicção de que:

A base de toda evolução é aceitar e praticar: bondade, tolerância e caridade (material, mental, moral e espiritual).
Que as chamadas leis da evolução não são tão difíceis – e as seguimos mesmo sem querer. Mas a solução está em conhecê-las para começar a vivenciá-las de forma consciente.
Que todos somos solidários, em essência e natureza, e só nos realizamos plenamente quando praticamos solidariedade.
Que raramente somos capazes de fazer algo superior ou acima da média sem a ajuda de nossos semelhantes e sem a proteção de nossos superiores incógnitos – ou seja, nossos Guias e Mestres (superiores e invisíveis). Isso é o que se refere à linha geral de ação do indivíduo.

 

Que toda a base intelectual da iniciação pode ser feita em seis meses de intenso estudo sintético, suficiente para compreender o porquê e o como de toda a vida humana universal.
Que sobre essa base se pode e se deve realizar um caminho pessoal que consiste em servir ativamente pela via que tiver mais afinidade com o temperamento da pessoa e do ambiente em que vive.
Que com o saber intelectual e a devoção como colunas, o templo humano se fecha (se completa) pela vontade desinteressada (ou boa vontade), ou seja, pela aceitação da condução da Providência, sem reservas.
Que, para quem procura viver assim, os meios para percorrer o caminho, a união com os Seres Superiores e a ascensão espiritual lhe chegam na proporção exata da intensidade de seu trabalho e de sua sinceridade no desinteresse. Isso é o que se refere aos meios e resultados.

 

Que é iniciável aquele que procura a Verdade e renuncia à violência, ao interesse e à vaidade.
Que é iniciado aquele que vai aplicando conscientemente as leis universais, que as vai conhecendo pelos diferentes meios com que se revelam: estudo, observação, meditação, serviço.
Que é adepto aquele que, sem nenhuma exceção, vive estritamente dentro da vida escolhida, sem contrariar jamais as leis universais, entregando sua vida ao serviço coletivo.
Que a Lei, idêntica para iniciados e adeptos é, em sua forma suprema, a seguinte:  TUDO O QUE RECEBES É PARA VOLTAR A DÁ-LO, QUER DIZER, VIVER É COMPARTILHAR CONTINUAMENTE, VOLUNTARIAMENTE, ALEGREMENTE. Isso é o que se refere ao indivíduo em qualquer etapa do Caminho.

 

Que o sentido cerimonial é indispensável porque, se tudo é regido por leis fixas e imutáveis, forçosamente, quem as conhece e aplica faz de sua vida um constante cerimonial de reverente prática da harmonia funcional, universal, de que é parte ínfima, mas ainda assim, parte.
Que o sentido cerimonial coletivo (humano) é a aprendizagem do querer, do saber, do sentir e do viver em sintonia com os outros, respeitando suas diferenças individuais e fundidos no ideal comum, consequência da compreensão da identidade de essência e de finalidade de todos.
Que a quem cultiva (quase diria cultua) bem isso, vai sendo permitida a colaboração do trabalho conjunto com os Superiores e que, por isso, realmente o cerimonial reconecta o homem com o Céu, ou seja, restabelece sua vida de relação mais consciente com os seres mais evoluídos e, portanto, em maior harmonia consciente com o pensamento divino.
Que todas as iniciações, de qualquer época ou lugar, escola ou seita realmente iniciática, se baseiam nesta procura consciente e positiva de contato com o Superior, entendendo isso como colocar-se à Sua disposição incondicionalmente. Isso é o que se refere ao serviço prático oculto.

 

Que a Tradição ainda está, sempre esteve e estará, sempre inteira e completa, à disposição daqueles que queiram buscá-la através do estudo de textos, símbolos, práticas e do SERVIÇO.
Que Oriente e Ocidente se completam admiravelmente. Mas, primeiro, o ocidental deve compreender realmente o laço de união que existe entre ciência acadêmica e ciência oculta com devoção e serviço universal.
Que aquele que ainda não destruiu dentro de si, realmente, e não por uma ilusão dialética, o afã preferencial, pessoal, de seita, nação ou raça, ainda não abriu a válvula para permitir a entrada da Luz Real que, sendo sintética, não pode ter uma cor particular.

Que aqueles que colocam em moção, pelo trabalho e vontade perseverante, uma linha de ação ou de pesquisa, toda parte correspondente à Tradição, todos os materiais e meios de informação e realização lhes chegam dirigidos pelo Invisível. Iniciações sucessivas, em várias correntes, lhes são conferidas, por consequência lógica. Isso é o que se refere a ambientes e ordens tradicionais.

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