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A Venerável Personalidade do Mestre AMO

A Venerável Personalidade do Mestre AMO

Seu amor vivifica e canaliza A Mística ROSA+CRUZ DE IESHUAH

Por Jehel, S:: I::, que pouco mais tarde, com a morte de seu pai Cedaior, ao assumir o Patriarcado da Igreja Expectante, passou a assinar Sri Sevãnanda Swami.
(Extraído de LA INICIACION, nº 3, Ano I, julho de 1942, publicação mensal do GIDEE - Grupo Independente de Estudos Esotéricos, Montevidéu)

Parte I de II

"Meu Mestre Espiritual", expressão com a qual PAPUS, médico, mágico, iniciado e iniciador, o "Balzac do Ocultismo", o "Mestre da Claridade", designa com infinita humildade o Mestre AMO.

Quem era esse Mestre diante de quem valores como PAPUS, STANISLAS DE GUAITA, BARLET, DURVILLE, PHANEG e tantos outros se curvavam reverentemente?

Era um homem modesto e silencioso, um VERDADEIRO MÍSTICO CRISTÃO que, pensando em servir aos outros, o fazia com maravilhosos poderes trazidos do berço e que cultivava diariamente COLOCANDO-OS AO SERVIÇO DOS NECESSITADOS, quaisquer que fossem; pois em sua vida luminosa atendeu não apenas poderosos como o czar da Rússia, mas também humildes cuja gratidão ainda hoje repousa sobre Seu nome como um halo luminoso.

Seu nome civil era Nizier Anthelme Philippe, simplesmente PHILIPPE, como gostava de ser chamado.

Nascido em lar modesto, na região da Savoia, França, teve que lutar para estudar, pois para usar legalmente os DONS DIVINOS que trazia era necessário ser médico. Para poder estudar, trabalhava. Todas as manhãs visitava as casas dos fregueses de um açougue e entregava a carne. Conheci muitos "espiritualistas" que, ao passar cinquenta metros perto de uma “carniceria”, já sentiam "a aura perturbada que poderia atrapalhar seus trabalhos espirituais". A Philippe o trabalhar assim não o impediu de ser um Mestre, um Médico e um Santo.

Quando cursava o primeiro ano de medicina (relata Papus), ressuscitou um dia a uma pessoa que, de acordo com testemunhos unânimes de médicos, havia morrido pouco antes. Isso bastou para que Dele tomassem a ojeriza que cresceu até o ponto de impedi-lo de ser diplomado na França, devido à “fraternal” oposição de alguns graduados.

Outra vez, visitando um hospital, o Mestre AMO olhava para os doentes e eles melhoravam tão rapidamente que todos ficavam surpresos. Em uma ocasião, os médicos discutiam a forma de reumatismo que causava dores de cabeça e de ouvido a um paciente. Philippe, que acompanhava o debate, disse que a causa era um tumor no ouvido interno (com abscesso da mastoide), o que provocou risadas nos presentes; mas NAQUELE MOMENTO o ouvido do paciente começou a verter pus e pouco depois se curou, confirmando o diagnóstico do Mestre AMO.

Philippe tornou-se chefe da Escola de Teurgia de Lyon; mas com suas curas teve muitas dificuldades com os médicos e autoridades, sendo processado muitas vezes por exercício ilegal da medicina. Pensava sem dúvida que seu dever era continuar, porque ainda assim nunca parou de fazer o bem.

Seu pequeno consultório na Rua da Cabeça de Ouro, em Lyon, estava sempre cheio de pessoas que vinham buscar conselhos, ajuda e cura para si ou para seus familiares. Naquele pequeno gabinete coisas extraordinárias aconteceram, entre as quais vou citar estas:

Quando PAPUS, por exemplo, analisando a vida de certas pessoas, pensava ter visto alguma injustiça do destino e, sincero pesquisador, expunha sua preocupação ao Mestre Espiritual, este simplesmente dizia: "Venha, vou pedir ao AMIGO para que lhe mostre a Verdade". E, no pequeno cômodo reservado do Mestre AMO, rapidamente uma invocação de Philippe permitia o desfile de clichês da LUZ ASTRAL, nos quais PAPUS via desenrolar-se a ou as vidas anteriores daquele indivíduo e as CAUSAS ANTERIORES de seu PRESENTE DESTINO se tornarem claras e lógicas, como tudo que é NATURAL. E Papus, sincero como sempre, refere que, ao final de cada uma dessas experiências se inclinava mais devotadamente diante da Sabedoria do Universo e diante do Conhecimento e Poder de seu Mestre.

Muitas vezes, se uma mulher do povo, encontrando o Mestre na rua, vinha implorar-Lhe pela salvação de seu filho moribundo e Philippe lhe dizia: “Ide, mulher, sois mais rica em coragem e em serviço constante do que os abastados desta terra. Ide, vosso filho está curado”, ao voltar para casa a pobre boa mulher verificava o “milagre” que desconsertava e irritava os médicos.

Jean Bricaud, ex-grão-mestre do ramo Martinista de Lyon, diz que conhecia muitas pessoas curadas pelo Mestre AMO; que certas curas pareciam realmente milagres e que um trabalhador de quem médicos queriam cortar a perna gangrenada sarou em menos de uma hora por obra de Philippe.

O Mestre AMO vivia muito reservadamente, cercado por um círculo de amigos e discípulos. Quando Lhe perguntavam quem era e de onde vinham seus estranhos ou terríveis poderes, contestava:

"SOU MENOS QUE UMA PEDRA. HÁ MUITOS SERES NESTA TERRA CONVICTOS DE SEREM ALGUMA COISA, QUE SOU FELIZ POR SER APENAS NADA". Ele ensinava a obter a segurança de que, aquele que sabe nada saber está apenas começando a entender a ciência. E de que aquele que possui um só colchão e o empresta a quem não o tem é mais rico que todos os ricos da Terra.

Philippe ensinava também que existem três espécies de doenças: as físicas, as astrais e as espirituais. As físicas são do domínio da medicina alopática; as astrais devem ser tratadas pela homeopatia, pelo magnetismo e pelos processos dos antigos ocultistas. As doenças espirituais só pode ser tratadas pela oração e pela teurgia.

Um exemplo típico dos poderes e ensinamentos do Mestre AMO pode ser visto na seguinte cura:

Vinte ou trinta pessoas estavam na casa de Philippe, incluindo PAPUS e dois outros médicos. Uma senhora que quando menina já havia sido salva de doença grave pelo Mestre traz seu menininho de dois ou três anos em estado de coma e pede a Ele misericórdia e saúde para o pequeno. Philippe pede aos médicos que examinem a criatura. O diagnóstico é unânime: meningite tuberculosa, de rápida evolução. A morte deve ocorrer inexoravelmente em poucas horas.

"Pois bem, disse o Mestre AMO, esta criança pode ser salva. Quereis comprometer-vos todos a ficar DOIS MESES sem falar dos ausentes?”.

Nenhum dos presentes concordou, e Papus - um mestre também, ou quase, na época - disse que lhe parecia difícil ficar mais de duas horas sem falar mal do próximo.

O Mestre AMO sorriu, provavelmente satisfeito com a sinceridade de todos, e disse: "Muito bem, vocês tentarão ficar duas horas sem falar ou pensar mal de alguém". Ele levou o garoto para a sala reservada e duas horas depois voltou com o garoto andando, de mãos dadas. Estava total e integralmente curado, conforme verificado pelos médicos presentes.

Posso ASSEGURAR a vocês que, até hoje, nada mudou na maneira de trabalhar do Mestre AMO. Pude verificar que jamais um discípulo ou uma pessoa bem-intencionada nunca lhe pediu uma cura ou uma melhoria sem que esta tenha se efetuado rapidamente, na PROPORÇÃO EXATA DA FORÇA E SINCERIDADE DO PEDIDO e do esforço feito por quem pedia desinteressadamente por DAR ALGO para a cura dos demais. E se alguns, bem-intencionados, se acostumassem a manter uma atitude serena, nunca se zangando, não falando duramente sobre nada e ninguém e pensando principalmente em COMO PODERIAM SERVIR AOS OUTROS, ficariam surpresos com a proteção que o Mestre AMO daria a seus desejos altruísticos e verificariam COMO É FÁCIL TER PODERES quando se tem REALMENTE o desejo intenso e exclusivo de fazer o bem com tais poderes, sem vaidade nem desejo de progresso pessoal. O difícil é que podemos iludir nosso semelhante, podemos até nos enganar a nós mesmos, porém é IMPOSSÍVEL enganar o Mestre. Portanto, quem se vê a si mesmo como realmente é nunca se surpreende por ter recebido pouco; ao contrário, sempre tem a impressão de TER RECEBIDO MAIS DO QUE MERECIA.

Foi o Mestre AMO quem fundou a Loja Martinista que operava na Corte Imperial da Rússia em circunstâncias sobre as quais vou falar em outra ocasião. Foi ele quem predisse o futuro do conhecido escritor H. Durville (também Martinista, mais tarde) quando, depois de montar seu lar, ao nascer seu primeiro filho, Philippe aceitou ser o padrinho e foi a Paris para participar da cerimônia (notemos de passagem que, portanto, Ele não era FANÁTICO NEM INTOLERANTE EM MATÉRIA RELIGIOSA).

Ao conhecer pessoalmente H. Durville, o Mestre AMO lhe disse: "Atualmente você não crê em nada, mas depois crerá". De fato, Durville, que seguiu a escola de magnetismo mesmeriano-fluídico, sem aceitar na época a parte superior e mística dos Ensinamentos Tradicionais, foi mais tarde um iniciado completo.

A cerimônia de batismo estava ocorrendo na Igreja de Sainte Marie, em Paris, e ao chegar a ela com Durville, Papus e outros, o Mestre AMO dirigiu-se a um mendigo que estava na porta da igreja e disse: “É perigoso que roubem os oito mil e quinhentos francos em ouro que tendes no colchão e mais uma outra quantia que está tal lugar”. O mendigo surpreso dali se foi, assombrado e assustado com o fato de um desconhecido lhe ter assim revelado a realidade de sua falsa pobreza.

Fatos como este e outros mais instrutivos são numerosíssimos na vida do Mestre. Contarei em outra oportunidade. Por ora, terminarei me referindo a como CEDAIOR conheceu o Mestre AMO. Enquanto ainda quase criança, 12 a 13 anos, Cedaior, para ir de Valência a Paris, teve que passar por Lyon e ficar ali por alguns dias. Um amigo da família levou-o à presença do Mestre AMO que, olhando o menino, perguntou se ele gostaria de ajudar uma senhora muito doente. O garoto Cedaior, de muito bom coração, respondeu que sim; então Philippe lhe passou a mão sobre a cabeça e instruiu o senhor que o acompanhava a diariamente levar Cedaior a uma clínica onde o menino deixaria a mão por uma hora sobre o peito da senhora, o que o bom garoto fez com todo o prazer e constância por alguns dias, depois dos quais o CÂNCER de seio de que a senhora sofria desapareceu. Foi assim que nosso Irmão Cedaior conheceu Philippe e fez seu primeiro serviço de cura por boa vontade, compaixão e constância em servir.

O Mestre AMO ensinava que há duas únicas virtudes indispensáveis ao progresso: a bondade e a tolerância. Meditemos sobre estas palavras do Mestre, que foi tão caluniado que seus discípulos se uniram mais do que nunca em sua defesa. Foi Dele que Papus aprendeu o que expressa nas seguintes palavras:

“FIÉIS A NOSSO DEVER, ACIMA DE TODA CALÚNIA E DE TODA LISONJA”.

 

Continuará

 

 

CURIOSIDADE HISTÓRICA E INICIÁTICA

AMO. Negro africano. Nasceu nos anos 1700, na Costa Dourada. Levado para a Holanda e “presenteado” ao duque de Brunswick, este o enviou para estudar em Haia e depois em Würtemberg onde, graças ao seu profundo conhecimento literário e astronômico, abriu uma cátedra muito popular. Foi consultor do Estado de Berlim. Após a morte do duque, desapareceu da Europa e mais tarde (1754) apareceu em Axim vivendo como eremita e desfrutando de fama de santo. Depois deixou seu isolamento e se mudou para um forte da Companhia das Índias Ocidentais, em St. Sebastian, pertencente à Holanda em Chamah (Gana).

Extraído de "A Vida e os Tempos de Anton Wilhelm Amo, Primeiro Filósofo Africano Negro na Europa"

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