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Nascer mulher e ser Mãe

Nascer mulher e ser Mãe

Compilado por Sacerdote Gérard, coadjutor do Matriarcado, a partir de ensinamentos do 2º Patriarca Sevãnanda extraídos de suas obras "O Mestre Philippe, de Lyon" - Volume 3, e "O Homem, Esse Conhecido"; e a partir de "Chave de Ouro - Abertura ao Cultivo do Espírito e à Fraternidade Cristã", de Hilarião de Monte Nebo e Josefa Rosalía Luque Alvarez.

 

Quais as tendências que se deve procurar desenvolver, e quais as que geralmente se tem que combater quando se nasce mulher? Esse desenvolvimento a ser buscado e esse combate a ser feito podem prosseguir por muitas encarnações.

Não vamos cometer a injustiça de afirmar que o hábito de fofocar e matraquear é privilégio da mulher. Não. Contudo, a indiscrição e a perfídia verbal são mais frequentes e mais graves na mulher. Sim, claro, em vários ambientes que frequentamos, deparamos com amostras masculinas de péssima qualidade. Temos que admitir. Mas, em observação atenta, notaremos que o Clube das Faladeiras realiza sessões permanentes nos horários femininos de expediente.

Temos lido nas Escrituras que o tempo da colheita virá. Esse tempo está mais perto do que pensamos. Ou seja, o Supremo Fazendeiro está à procura de obreiros e obreiras para fazer essa colheita. Essa mão de obra, por pressuposto, será encontrada mais facilmente, digamos, em famílias e lares menos centrados no materialismo.

“Há três tipos de infelizes: os que não sabem e não perguntam; os que sabem e não ensinam e os que ensinam, mas não fazem”.

As mães devem ensinar seus filhos a orar desde a infância. Orar no sentido de conversar com o Altíssimo, ter relação consciente e constante com Ele, cuja centelha habita seu íntimo. E não orar simplesmente repetindo palavras decoradas, mecanicamente. As mães devem ensinar seus filhos a pôr toda a confiança em Deus. Nada impede que o marido ajude. Aliás, oxalá que ele ajude também nisto, mas essa preparação espiritual do novo ser, até os sete anos, principalmente, é papel da mãe.

É preciso semear a boa semente nesses corações jovens para que a colheita seja boa. Sem a educação religiosa, seja ela qual for - desde que pura, ampla e humana - a criança terá que lutar muito, mais tarde, para poder orar, aceitar a vida e não se transformar num rebelde, num indiferente ou num cínico.

Segundo ponto: Mães e pais devem lembrar que são responsáveis por cada pensamento, cada palavra, cada gesto que fizerem, especialmente EM TORNO DA CRIANÇA, desde o ventre, ou melhor, desde a concepção. O que torna difícil o problema é a quase impossibilidade de educar aos pais! E, se cada geração educa mal aos filhos, principalmente por lhes dar péssimo EXEMPLO, é evidente que o panorama só piora!

Há pais de posses e que se dizem cultos dirigindo terrivelmente mal "a geração de amanhã". Esse modo de fazer as coisas é um duplo crime, contra a própria criança e contra a sociedade humana. E tem repercussões também múltiplas: a criança assim criada encontrará, quando adolescente e depois adulta, dentro de si mesma, todos os traumas, as cicatrizes físicas, morais, sentimentais ou mentais que os pais lhe causaram com todos os ruídos estridentes, as palavras grosseiras ou ásperas, os gritos ou pancadas, as indiferenças e injustiças, a falta de cortesia e o aprendizado da mentira, do egoísmo e da ambição a que foi submetida, sob o falso pretexto de "fazer dele um homem (ou uma mulher) capaz de lutar".

Enquanto esse proceder não mudar, teremos guerras: no próprio indivíduo, em seu lar, seu escritório, seu clube, sua igreja, sua nação. Já que todo o coletivo está construído por muitos homens e mulheres que foram MAL educados e seguem educando e criando MAL os seus filhos, aos quais queiram, talvez, com amor animal e egoísta, mas não os AMAM de forma elevada, como o demonstra a conduta descrita.

Terceiro ponto: O que a criança necessita é ter a sua volta: amor, com método e compreensão nos cuidados. E, mais que tudo: EXEMPLOS. Que veja os pais praticarem, "viverem" o carinho, a amplidão, a mansidão, a devoção, o amor aos semelhantes, a utilidade coletiva. Que veja os pais buscarem o próprio progresso. Material e espiritual, equilibradamente. Então, por emulação e por ambientação (mães e pais são os espelhos dos filhos), a criança desenvolverá bem o melhor que traz em si mesma.

Método para a prevenção: combater o hábito que temos de pensar mal e falar mal do próximo. Sobretudo na ausência do próximo. Esse o primeiro grande exemplo que devemos dar aos nossos filhos. E se tem alguém dentro de casa com força para romper o comodismo, vencer a preguiça e executar esse treinamento é a mãe.

O homem é o rei da criação? Ele não poderia ser completo sem a mulher. O homem é mais forte, age e se mexe mais? A mulher tem visão mais vasta, é mais perspicaz, mais intuitiva e infinitamente menos covarde que o homem, em geral, frente à dor física ou moral!

A mulher tem indiscutível espírito de sacrifício, de abnegação, que lhe é duas vezes indispensável: para ser mãe e criar os filhos com amor, apesar das dores de cabeça e sofrimentos que lhe originam; e, muitas vezes, para suportar um marido!

Por fim, a mulher tem o espírito mais agudo que o do homem; ela sofre mais e, por consequência, está mais perto do Pai.

Dado o método, vamos pô-lo em prática começando a negar a nossa mente a oportunidade de pensar mal dos outros... Vamos calar se nada edificante puder ser dito? É fácil dizer, mas é di-fi-cí-li-mo fazer. Falhamos todos os dias nisto. A tarefa é dura, por certo, requer disciplina, determinação, vontade, fé e esperança... E qual a condição necessária para ter fé e esperança?

Disse o Mestre Philippe, de Lyon: “Se o vosso vizinho vos fala mal de alguém, é preciso que não acheis nem uma palavra para lhe responder nem lhe dar aprovação”.

Portanto, o beabá do desenvolvimento espiritual (combater o hábito da maledicência) começa por colocar filtros nos ouvidos, dominar a nossa mente maldosa e saltitante e a nossa língua falastrona. Agora imaginem a bendita herança que deixaremos para a vida de crianças treinadas assim desde cedo.

E nem venham com a desculpa de achar que não daremos conta, de que obstáculos são intransponíveis, de que a missão é impossível. Às vezes nos sentimos acovardados para dar os primeiros passos, tal como crianças quando começam a andar. Mas todas as obras de Deus têm seu ponto de partida na mais ínfima pequenez humana.

Deus é tudo e só espera de nós entrega absoluta e perfeita da nossa vontade e amor, para nos conceder os meios.

E que alerta podemos fazer diretamente ao polo masculino? O homem, incompleto sem a mulher, permanecerá incompleto em si mesmo enquanto não procurar desenvolver um pouco da graça, da abnegação e da intuição femininas. Sem isso, o homem tem levado a civilização ocidental – masculina de base - para o descalabro que cada dia apresenta o planeta.

Mulher e mãe: a harmonia da casa depende das vossas cabeças. Vocês têm útero, indicação visível ofertada pela natureza, da incomensurável capacidade de criar que herdaram do Senhor dos Mundos. Tudo que vocês pensam, tudo aquilo que acreditam, se materializa em suas vidas, em suas casas. Que um dia as mulheres se conscientizem do poder que receberam, e que saibam empregá-lo.

Concluindo, a mulher e o homem, sem julgar asperamente a seus pais, e com grande espírito de gratidão, devem examinar quais as sementes que trouxeram do seu lar de criação, como as desenvolveram, quais as tendências, ímpetos, hábitos e complexos que elas nos têm legado e formado.

E que pensem muito nisso, para que aprendam a contribuir na melhora da vida dos grandes e pequenos que lhes rodeiam, onde quer que seja. 

Muito obrigado pela vida que nos deram! Muito obrigado pela vida que ainda têm para dar. E feliz Dia das Mães!

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