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ARIDEZ

ARIDEZ

Por Thoth, 3º Patriarca Expectante

Naquele dia ensolarado, com Apolo em pleno zênite, a temperatura abrasadora atingia 41 graus à sombra. A camioneta, rebocando o trailer, corria a uma velocidade de 60 quilômetros/hora. Nós estávamos vindo de Fortaleza com destino a Natal-RN. Apesar de ser ainda cedo, nos sentíamos já cansados, exaustos pelo calor sufocante. A paisagem que ia se descortinando era deveras desoladora, tudo estava seco. Árvores retorcidas como se estivessem clamando por socorro, esgalhadas, sem folhas, davam um quê desalentador. A natureza sofria de febre!... Vez por outra, passávamos sobre uma ponte que antes, sob ela, existia um córrego. Agora tudo estava seco, a terra rachada formava desenhos de quadrados, triângulos, polígonos, hexágonos etc. A vida parecia não mais existir diante da ARIDEZ chocante... Oh! Milagre da vida... Lá, ao longe, se divisava um pequeno grupo de árvores que formavam um verdadeiro contraste com o restante. Eram algarobeiras em pleno verdor (a algarobeira é uma árvore de pequeno porte, da caatinga nordestina, considerada como um MANÁ na região. Porque dela se consegue fazer um tipo de pão, bolo, café e outros produtos que se extraem da semente da vagem, além de fornecer sombra, ração para os animais e outras tantas coisas... Quanto maior a estiagem, maior o vigor da árvore. Porém, ela é, apesar de tudo, hostil, proveniente aos espinhos duros e pontiagudos. O Centro Agrícola de Natal mantém um viveiro com mudas. Como lembrança, trouxe algumas para Guarapari.

Mas, vamos voltar ao tema em questão: Para transpor a zona atacada pela seca foram necessárias horas e horas de viagem, que se tornaram enfadonhas pela imutabilidade da paisagem, pois o visual era o mesmo constantemente. Nesta circunstância, a mudez foi a característica marcante entre nós. Resultado: Ischaïa entrou a modorrar... Enquanto eu continuava firme ao volante. Todavia, meus pensamentos estavam ativos, o que me fez entabular um solilóquio traçando comparações da secura, da triste aridez visual com a aridez das criaturas humanas.

Uma grande quantidade de criaturas humanas se dedica a viver numa das duas Vias de Evolução Espiritual: VIA MENTAL e VIA CARDÍACA. Elas primam (uma grande maioria) em ser determinadas e taxativas quanto à maneira de agir, pois são frequentemente irredutíveis em seus pontos de vista e sentimento. Chegam a ser até radicais. Às vezes, ao extremo. Isso é considerado como um crasso erro que se comete. Em muitos casos involuntariamente, motivado pelo desejo intrínseco de conseguir, através da busca constante, realizar seu ideal. Essa busca individual é direcionada para uma das VIAS de acordo com a inclinação de cada um, porque, como sói acontecer, cada ser tem seu diapasão de acordo com a VIBRAÇÃO pessoal, de forma que as tendências são atraídas pela Lei da Afinidade. Com o relacionamento feito com a VIA escolhida, a criatura se lança ao estudo, pesquisa, treinamento e começa a se aprofundar cada vez mais nos conceitos, preconceitos, tabus da corrente filosófica a que se uniu, criando, às vezes, uma carapaça invisível em torno de si e sobre a MENTE ou CORAÇÃO, não deixando com isso saída para conhecer outras fontes de estudos, conhecimentos etc. Resultado: Torna-se um indivíduo bitolado, restrito a um par de antolhos e com isso surge o homem profundamente radical, ou seja, FANÁTICO!...

Agora vamos ver as duas VIAS: a MENTAL e a CARDÍACA:

A VIA MENTAL - Essa nos leva, nos enleva através da lógica, do raciocínio, do intelecto, ao pleno conhecimento. Tornando-nos verdadeiros intelectuais, grandes eruditos naquilo que escolhemos: na religião, credo, seita, filosofia etc. Não são poucos aqueles que passam a ser alvos de muitos aplausos, que são exaltados pela sua capacidade intelectual, verdadeiras enciclopédias humanas, grandes explanadores de textos de vários Mestres. Deixam os ouvintes muitas vezes boquiabertos com tanto conhecimento que transmitem.  Porém, pergunto: Será que se realizaram espiritualmente?!

É preciso que se saiba que eu não vou contra a VIA MENTAL. Muito pelo contrário, apóio quem quer que seja que a esteja praticando. Qualquer um que esteja seguindo por esta VIA merece ajuda no seu trabalho, pois que, devemos respeitar todo aquele que estiver fazendo qualquer esforço para evoluir, e a VIA MENTAL é uma porta aberta para se fazer grandes coisas, grandes realizações. Entretanto, vejo um senão: É que - só através do raciocínio, da lógica e da razão - as coisas ficam limitadas à possibilidade analítica da pessoa. Em síntese, quando chegar ao seu teto, ao seu limite, tudo fica restrito a sua capacidade de observância. E depois?...

De tanto o indivíduo viver analisando as coisas, os fatos vão se tornando corriqueiros, e a rotina viciosa da análise, do raciocínio para chegar à lógica e, obviamente, à razão, faz do analisador inúmeras vezes um ser sem emoção, frio, calculista, dando a “impressão” de que é insensível aos fatos que se lhe apresentam. Sua participação denota ARIDEZ de sensações, de emoções. Não tenham dúvidas, a ARIDEZ vive inoculada no ser humano e se manifesta ostensivamente nos dois campos: Cardíaco e Mental. Se não, vejamos: O que ocorre nos hospitais? De tanto lidar com o sofrimento, com a dor alheia, as enfermeiras, os médicos, muito frequentemente passam a ver tudo com naturalidade. A insensibilidade é patente. Tornou-se natural. Isso não é aridez emocional? No entanto, ela desaparece quando surge o AMOR! Mas, não se enganem, a presença da aridez ficou marcada. E esse decepcionante estado de ausência de humanidade choca os que estão presentes, participando da aridez emocional! E, por fim, chega-se a uma tremenda conclusão: O INTELECTO FENECE COM A MATÉRIA!...

A VIA CARDÍACA – É a Via do Coração, do amor. Essa VIA torna o caminho para o desenvolvimento espiritual mais longo, toma bem mais tempo. Porém, é a SENDA mais suave, menos rígida, de modo que, para os ocidentais, se coaduna melhor, pela tolerância. Entretanto, requer dosagem maior de perseverança, porque, devido à Via ser tolerante, o indivíduo acaba negligenciando e, por fim, acaba esquecendo suas obrigações, seus deveres, não pratica o que está aprendendo, resultando com isso no abandono das práticas espirituais, orações, exercícios etc. Isto conduz a criatura a uma condição de precisar ser chamada de volta ao aprisco, através das desditas e sofrimentos vários. Por quê? Porque somente chicoteado, tangido pela dor é que o indivíduo se lembra das suas obrigações espirituais e clama no momento da dor: “Ai, meu Deus!”. Nesse momento, possivelmente, retornará aos seus trabalhos espirituais...

Sendo a VIA Cardíaca a via do amor, compreende-se que só mesmo através do AMOR empregado, praticado em todos os sentidos na vida humana é que se pode atingir a perfectibilidade, e, a “perfeição” é o alvo desejado por todos.

Observem isso: A razão é o método direto da Via Mental, o método mais rápido do intelecto. Porém, paga-se preço altíssimo numa encarnação para se obter a EVOLUÇÃO, levando por isso muitas vezes a criatura ao desânimo, chegando mesmo a não poder mais suportar tanta “pancada”.

O AMOR é o método da bondade empregada indiscriminadamente e tem como orientador a INTUIÇÃO. O primeiro, como foi dito, é MENTAL, pertence ao plano material. O segundo é CARDÍACO, pertence ao plano espiritual. Vejamos: se o grande “X da questão” é a INTUIÇÃO, ela significa: Percepção clara, reta, imediata da verdade, sem necessidade da intervenção do raciocínio. Pressentimento, visão etc. Claro está o porquê de ela pertencer ao plano espiritual. Vou citar aqui, agora, para melhor entendimento, o seguinte: A RAZÃO traz a solução imediata devido à ausência da emoção (ARIDEZ), tornando o perdão daquele que nos maltrataram mais difícil. O CORAÇÃO é como um velho. Age com mais TOLERÂNCIA, paciência, prudência e tem mais possibilidades de perdoar através do AMOR.

O Divino Rabi da Galileia, Senhor Jesus-O-Cristo, disse: João 14:34 – “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei”. E, depois, foi dito: Mateus 22:39 – “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. A aparente mudança se originou proveniente ao fato de ninguém ter a capacidade de possuir AMOR tão intenso, tão ilimitado como o Dele, de forma que, como já dito, o mandamento se tornou mais acessível a todos. Mesmo assim, decorridos mais de dois mil anos, ainda somos internamente ÁRIDOS. Que horror!...

Antigamente a Lei era dura, inflexível: “Olho por olho, dente por dente”. A ARIDEZ era a tônica que já predominava. E hoje? A vinda do Filho de Deus, Jesus-O-Cristo, nos trouxe a Lei do AMOR. Abriu-se dessa forma a oportunidade de um dia (?) os humanos poderem viver com AMOR generalizado, e a harmonia será a constante na face do Planeta TERRA. ALELUIA!

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