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Amor e Renúncia

Amor e Renúncia

Por Thoth, 3º Patriarca Expectante, em 2001

Retrocedendo vinte anos, ou seja, precisamente em 1981, estávamos viajando, Ischaïa e eu, pelo Nordeste do Brasil. Como costumava acontecer nas viagens, tínhamos o hábito de dissertar sobre algum tema. Isso não só servia como estudo, mas também como coisa útil durante uma parte da viagem.

E o tema geralmente era proporcionado pelas arguições que ela fazia no sentido de adquirir esclarecimentos sobre algum fato da vida ou sobre algo que queria conhecer referente a estudos transcendentais. De qualquer forma, a meu ver, sempre é importante quando se tem por perto alguém que quer aprender alguma coisa. Tínhamos acabado de fazer a Oração de Abertura do Dia da Igreja Expectante. Após alguns instantes de silêncio, a guisa de deleitarmos com aqueles minutos de quietude, ela interrompeu com a pergunta:

- Thoth, algo me impele a formular um pedido para que você fale sobre AMOR e RUNÚNCIA, pois este tema me é sumamente importante por várias razões de foro íntimo. Você poderia me dar este prazer de ouvi-lo sobre o assunto?

- Oh! Filha, você adivinhou o meu desejo? Pois, era exatamente o que eu estava pensando neste momento. Falar como Instrução do Dia sobre AMOR e RENÚNCIA. Assim sendo, vamos lá:

Amor é a palavra mais pronunciada em todos os vernáculos. Porém, o difícil é realizá-lo com todo o seu esplendor, com a pureza inerente que ele requer e isso só se pode conseguir quando já se está no umbral da realização. Essa realização é alçada pela pureza de uma comunhão perfeita em fundir todos os Ideais num só corpo. Pois, é na fusão dos metais (imperfeições) no cadinho dos corações que se adquire o mais puro e reluzente ouro espiritual. Ou seja, é na prática diária de se ANTEPOR os sentimentos Negativos com os sentimentos POSITIVOS. Enquanto não conseguirmos esta fundamental transmutação, ainda não adquirimos a possibilidade de galgar os degraus mais altos da espiritualidade.

O Amor é decantado desde os primórdios. Digamos, desde o início da Criação, pois a própria Criação foi manifestação do AMOR do CRIADOR no seu processo de INVOLUÇÃO. Logo, toda a Natureza é impregnada de AMOR. O Amor dorme e sonha nos minerais e nos vegetais; desperta no Animal e, por fim, vive no homem. Porém, esse Amor no homem passa por todos os caminhos do progresso, de acordo com a evolução do homem. Não devemos nos esquecer de que “Os brutos também amam”. Todavia, quando ele    atinge o ápice da evolução, realiza o himeneu com o ABSOLUTO, no reino Potentíssimo de Swara, e, para se definir esse AMOR em tão alto escalão não existem, no pobre vernáculo humano, palavras que possam ser empregadas. Entretanto, para que vocês tenham uma ideia do que é a manifestação desse AMOR CÓSMICO, nos foi dado o exemplo vivo em João 1:14: – “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”. Porque Ele desceu do Reino da Glória com seu Divino AMOR, RENUNCIANDO a tudo para, através da Dor, do Sacrifício, do Sofrimento extraordinário, impulsionar a evolução Espiritual nas criaturas humanas. Esse é o exemplo magno do AMOR manifestado nesse Orbe Terráqueo... Esse AMOR, nós ainda não temos a capacidade de conhecê-lo e senti-lo ao menos um pouco, quanto mais em sua plenitude!...

Existem milhares de formas demonstrativas do Amor em escalas decrescentes, oriundas de: Como, de que forma, de que espécie e como se realiza nos acasalamentos em toda a Natureza VIVENTE... Assim me expressando, ele é de forma abrangente.

E uma faceta importantíssima de prova da existência de algum AMOR está no ato de renunciar em SI alguma coisa em benefício de outrem!...

Como dizia André Maurois: “Não basta um grande AMOR para reter uma pessoa que amamos, se, ao mesmo tempo, não lhe enchemos a existência com um conteúdo incessantemente renovado”. Em suma: É necessário se quebrar a ROTINA!... Mesmo porque, completando, J. W. Goethe também disse: “A nossa vida física, a nossa vida Social, Costumes, Hábitos, Saber, Filosofia e até muitos conhecimentos causais nos proclamam a todo instante: é preciso saber RENUNCIAR”. Portanto, de acordo com sua capacidade de renúncia, o ser humano se torna mais livre.

O desprendimento sem mácula, o se doar com abnegação ao nosso semelhante é cultuar o AMOR em sua essência. E isso é um dos métodos inequívocos para se chegar a “Amar o próximo como a si mesmo”, final proclamado pelo divino Rabi da Galiléia...

E o exemplo magno do AMOR – RENÚNCIA nos foi mostrado no Drama do Gólgota...

Saber RENUNCIAR a alguma coisa sem ressentimentos, sem restrições, é DOAR-SE a alguém que se ama com uma parcela de AMOR que se possui. É exalçá-la na ARA do Sacrifício, depositando o que de melhor possuímos em benefício do ser amado!...

Na RENÚNCIA, mesmo que seja de pequenos fatos, está a demonstração do elo de amor que se possui, de dedicação, de carinho, cuidados mil e, enfim, a sublimidade do que pronunciamos: - Eu te amo!...

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