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AMAR

AMAR

Por Sevãnanda, Segundo Patriarca Expectante

O amar, como sentimento, nasce felizmente no ser humano muito antes de manifestar-se o aspecto sensual, sob o modo sexual. Expresso-o assim porque o sensual existe sempre no amar. O essencial é que o estudante entenda bem, neste ensinamento, que não tem por objeto expor sábias doutrinas complicadas, se não dar bases práticas a quem deseja acercar-se à Realização, sobre o funcionamento do amar.

Em primeiro lugar, estou empregando sempre o verbo amar e não o substantivo "amor", porque quisera evitar o termo com o qual se designa indiscriminadamente fatos tão diferentes entre si. O amor nasce na criança, como expressão voluntária e consciente de sua alma, quando olha com carinho e sorri com ternura para alguém.  Por especial disposição ao natural, tal sorriso, que é manifestação do "primeiro estado de amor", é geralmente dirigido à mãe, enquanto ela amamenta o filho. Se não estivéssemos ainda tão longe dos temas místicos, sentir-me-ia inclinado a lembrar nisto uma clara analogia do que nos sucede mais tarde quando sorrimos, externa e internamente, à Divina Mae, ao nos entregarmos a SUA direção, certos de que nos dará cada dia o "Pão da Vida" que mais necessitemos.

Pois bem. O estudante tem que meditar profundamente sobre o amar. Terá que entender, ou melhor dito, que aqui se trata mais de sentir - já que de um sentimento se trata - quão importante é que a criança seja cultivada com amor, em amor e por amor. Aqui também o exemplo dos pais influi, e muito. A criança deve ter ante seus olhos o espetáculo de pais que, não somente se amem, não somente se queiram, se não que o façam com ternura. E que vivam essa ternura com arte, com graça, com elegância moral e física. Que o olhar, o gesto, a palavra sejam belas manifestações do amar. Que o ciúme, a aspereza, a desconfiança, a possessividade egoísta que oprime no amar, não existam, e se ainda existem, que se lute por as substituir.

Talvez estranhe o leitor ouvir, de um mestre espiritual, conselhos que, aparentemente, não afastam do amor humano, se não que a ele conduzem, estimulam e valorizam. Entretanto, desde o ponto de vista do ensinamento, é preciso compreender o seguinte:

- Não pode amar aos seus semelhantes desconhecidos quem não ame aos seus próximos.

- Tampouco pode amar suavemente aos demais quem tem com os "seus" um amor feito de fria confiança ou de rotineiros hábitos familiares, ou de prepotência de chefe de familia, pai ou o que for.

- Menos ainda pode abrir seu coração a terceiros, compreender suas apreensões ou acompanhar seus enlevos quem vive uma vida sentimental pobre, fria ou limitada.

- Não poderia tampouco elevar amor ao superior, menos ainda pretender amar a Deus, nem diretamente, nem em suas criaturas, quem ignora, deforma ou despreza o amor humano.

Por isso, se há de compreender que o amar é tão necessário quanto o orar, para a criança. A oração mandada fazer como regra e norma, sem o cultivar do amor, é um contrassenso e tem muito de sacrílega. O amor sem a oração, para a criança, é levá-Ia tão somente ao visível, ao palpável, no círculo de "sua casa". É criar um futuro egoísta ou, pelo menos, alguém que limita o seu carinho, seu ciúme e seu exclusivismo aos que "ama porque são seus". Para o estudante, entender e sentir isto é fundamental.

Em realidade, não há nenhuma Realizacão possível sem amor. Ainda os que acreditam em uma forma de realizar, mais filha da razão que do coração, se se Ihes dissesse que isso é possivel, teriam sempre que reconhecer que aquele que procura o conhecimento e a verdade, dia após dia, esforço após esforço, renúncia após renúncia, deve, para isso, ter enorme amor ao que está fazendo. Pode ser que seja "amor egocêntrico", paradoxo feito designação, mas que o leitor entenderá.

Portanto, o amar a tudo quanto rodeia a criança deve ser cultivado por todos que a rodeiam. Que ame aos seres humanos, animais, plantas, estrelas, anjos e Deus. Terá tempo, se não o conseguir evitar, de esquecer algum desses amores de sua infância. Mas é mais fácil volver, anos depois, sobre uma oitava mais ampla de tais amores, sejam quais forem, que os despertar, se a semente não foi cuidada na infância.

E para terminar com este tema, diremos que o estudante terá de considerar que: ante a Realização, somos todos crianças. Por isso mesmo, cultivar o amor será também um dos primeiros passos necessários. Medite-se nisto.

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