A PRONTIDÃO

A PRONTIDÃO

Num mundo que hesita diante das exigências da fé, em uma época marcada pela indiferença e lentidão espiritual, Santo André nos inspira a dar andamento imediato à tarefa da busca pela Realização. Vamos com ele orar.

"Seja louvada e bendita a hora e o momento em que o Filho de Deus nasceu
do mais puro seio da Virgem Maria, à meia-noite, em Belém, no frio perfurante.
Naquela hora, dignai-vos, ó meu Deus, ouvir minha prece e conceder meus desejos,
pelos méritos de Jesus Cristo e de Sua Mãe Santíssima. Amém."

Rezar essa oração chamada Oração da Quaresma de Santo André ou Oração de Natal ajuda, segundo os que não põem tudo em dúvida, a sintonizar o coração com a meta individual e intransferível do soerguimento moral. Santo André foi o primeiro apóstolo a reconhecer Jesus como o Messias e a apresentá-lo aos outros. Ele não precisava de garantias ou explicações. Bastou o olhar e a presença de Jesus para que tudo mudasse. Essa atitude revela um coração preparado, atento aos sinais de Deus, apto para se deixar tocar pelo sutil de forma viva e transformadora.

A vida de Santo André Apóstolo é especialmente rica em simbolismo porque combina três dimensões muito fortes: busca espiritual, serviço e passagem. Ele não aparece nos Evangelhos como a figura mais eloquente ou central entre os Doze, mas justamente aí reside boa parte de sua força: André é, repetidamente, aquele que encontra, reconhece, conduz e abre caminhos.

Os principais ensinamentos de Santo André Apóstolo giram em torno do encontro pessoal e consciente com o Eu Interior, a prontidão e o papel de ponte para os outros.

André, assim como os nossos Patriarcas, ensina a ignorar a crença de que temos tempo, de que podemos postergar, procrastinar e empurrar com a barriga o acercar-se às coisas sagradas e à elevação.

Ele quer que respondamos prontamente ao chamado do Altíssimo. O discipulado dele começa com a experiência direta de escutar João Batista, que anunciou durante o batismo no Jordão: "Eis o Cordeiro de Deus". Sem titubear, André, discípulo do Batista, com João Evangelista largou tudo e se juntou à caminhada com Jesus. Santo André não ficou apenas admirando o Mestre à distância: quis estar com Eleouvir Sua vozpartilhar da Sua presença.

João, amigo dileto do Cristo, responsável pela igreja “invisível” (interna), como sabem os Gnósticos e como sabemos nós Expectantes, já estava na mesma vibe. Faltava o quê? Garantir a outra ponta, como se diz no dominó... Logo após encontrar o Messias, André correu para buscar seu irmão, Simão Pedro, aquele que ergueu a Igreja visível (externa). Esse gesto é altamente notável: André não retém para si aquilo que descobriu e transforma conhecimento em transmissão.

Isso representa o homem que, ao encontrar uma verdade que o transforma, assume a responsabilidade de compartilhá-la e conduzir outros à própria descoberta. Mostrou assim, André, que a verdadeira fé transborda e quer incluir a família e os amigos.

Há também uma dimensão muito importante de fraternidade na figura de André. Como mencionado há pouco, ele é irmão de Pedro, mas nas Escrituras não é apresentado disputando protagonismo com ele. Pedro se torna uma das figuras centrais do cristianismo nascente, enquanto André segue seu próprio caminho. Exemplo claríssimo da capacidade de servir a uma obra comum sem transformar a missão em competição pessoal. É uma imagem de humildade ativa: não a humildade passiva de quem se apaga, mas a de quem compreende que diferentes funções participam de uma mesma construção. André facilita o encontro dos outros com aquele que avisou Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.

É como se ele nos dissesse que devemos fazer em nós mesmos, de nós mesmos, o "Eu sou o caminho...". Não percamos a oportunidade de receber mais luz por querermos julgar quem a traz, ou porque o bem resultante esteja sendo feito a terceiros, dizia o Mestre Sevãnanda.

“Empreguemos as nossas forças, eduquemos a nossa vontade, apuremos o nosso discernimento e não sejamos preguiçosos, pois, se não o fizermos, as forças que Deus nos tem dado nos serão retiradas”, disse o Mestre Philippe. “Trabalhemos sempre! Se recuarmos, ser-nos-á duplamente difícil progredir. Se Deus nos manda alguém para nos trazer luz, não o refutemos, não o julguemos”, completou Ele. Nós, da Egrégora Expectante, mostramo-nos sempre dispostos e propostos a aplainar e iluminar a senda dos que nos rodeiam?

Outro episódio profundamente significativo ocorre na multiplicação dos pães e dos peixes. É André quem chama a atenção para o menino que possui cinco pães e dois peixes. Ele próprio reconhece que aquilo parece insuficiente diante da multidão. Ainda assim, leva o pouco disponível até Jesus. O simbolismo é poderoso: o pequeno pode tornar-se abundante quando colocado a serviço de uma obra maior. André torna-se, nesse episódio, uma espécie de intermediário entre a limitação humana e a possibilidade de transformação. Ele confia que o Divino Mestre realizará o milagre.

Certa vez, alguns gregos desejavam encontrar Jesus. Eles procuram Filipe; Filipe procura André; e ambos levam a questão a Jesus. Mais uma vez, André surge na função de ponte. Essa imagem é recorrente em sua vida: ele liga pessoas, mundos e experiências. Por isso, uma leitura simbólica de Santo André o mostra como o mediador, aquele que possibilita a passagem de uma condição a outra.

Sua origem como pescador também possui simbologia evidente. A pesca supõe paciência, perseverança, conhecimento das águas e confiança naquilo que ainda não se vê. O pescador lança sua rede sem ter certeza do que virá, se é que virá. Espiritualmente, André representa, portanto, aquele que aprende a atuar entre o visível e o invisível, entre a ação concreta e a esperança. A passagem de pescador de peixes a “pescador de homens” simboliza uma mudança de consciência: o trabalho deixa de ser apenas material e passa a uma finalidade humana e espiritual, posicionamento que a nossa Egrégora pacientemente aguarda que adotemos.

Também vemos André associado à evangelização de terras distantes, especialmente regiões próximas ao Mar Negro e ao mundo grego. Historicamente, os detalhes de suas viagens pertencem em grande parte à tradição posterior aos textos do Novo Testamento, mas sua força simbólica é inequívoca: André torna-se o viajante, aquele que atravessa fronteiras culturais para transmitir aquilo que recebeu. E quem viajou mais que Cedaior, 1º Patriarca Expectante, que largou o Velho Mundo quando seu mestre Vayusattwa revelou que sua missão estava além-mar? Que Sevãnanda, 2º Patriarca, que caminhou pelo mundo? Que Thoth, 3º Patriarca, que peregrinou num trailer ao lado de Ischaïa, nossa Matriarca, especialmente pelo Sul, Sudeste e Nordeste do país?

O martírio de André ocorreu na cidade de Patras, na Grécia, por volta de 60 d.C. Sua morte é marcada por profunda fidelidade e pelo simbolismo da cruz em que foi executado. Sua pregação incomodou o poder. André evangelizou a região da Acaia, exemplificando sempre, convertendo muitas pessoas, incluindo a esposa do cônsul romano Egeas. Furioso com a influência do apóstolo e com a recusa dele em adorar os deuses pagãos, o governante ordenou sua prisão e condenação à morte.

É impossível falar de seu simbolismo sem chegar à cruz em forma de “X”, ou crux decussata. A tradição segundo a qual André teria sido martirizado numa cruz desse formato é posterior ao período apostólico e não está narrada nos Evangelhos. No entanto, ao longo dos séculos, o “X” tornou-se seu principal signo.

André pediu para não ser crucificado em uma cruz igual à de Jesus, por se considerar indigno. Ele foi amarrado (e não pregado) a uma cruz em "X", que hoje é conhecida mundialmente como a Cruz de Santo André.

O objetivo de amarrá-lo era prolongar seu sofrimento. Essa cruz a gente vê nas cidades, nas passagens de nível, cruzamento das vias com as linhas férreas. Está presente também nas bandeiras de vários países, como Escócia, Jamaica e outros vários, assim como também na bandeira do Estado do Rio de Janeiro.

Conta a tradição cristã que André permaneceu vivo na cruz por dois dias. Durante todo esse tempo, em vez de reclamar de dor, ele aproveitou a agonia para pregar o Evangelho à multidão que se reunia ao seu redor, incentivando-os a permanecerem firmes na fé.

Esse símbolo permite várias leituras. Duas linhas que se cruzam indicam um centro de encontro. Também podem representar a convergência entre duas dimensões: matéria e espírito, humano e divino, conhecimento e ação, vida e morte. Diferentemente da cruz latina, o “X” produz ainda uma forte sensação de movimento e passagem: quatro direções convergem para um centro e, depois, voltam a se expandir.

A própria forma pode ser entendida como símbolo de transformação. Quem atravessa o ponto central de uma Cruz de Santo André não permanece na mesma linha: há uma mudança de direção. Por isso, iniciaticamente, a cruz em “X” frequentemente sugere encruzilhada, escolha, transição e regeneração.

Há ainda uma leitura particularmente bonita quando se observa toda a trajetória de André:

ele começa procurando, depois encontra;
encontrando, conduz;
conduzindo, serve;
servindo, atravessa fronteiras;
e atravessando fronteiras, transforma-se.

Por isso, alguns dos grandes arquétipos associados a Santo André podem ser resumidos como o Buscador, o Primeiro Discípulo, o Irmão, o Mediador, o Pescador, o Missionário e o Homem da Cruz.

Talvez o elemento mais interessante seja perceber que sua vida não simboliza simplesmente a chegada à verdade, mas o movimento permanente em direção a ela. André rejeita ser visto como proprietário de uma verdade. Ele quer ser lembrado como aquele que continuamente aponta para algo além de si mesmo. E isso torna especialmente significativa uma máxima associável à sua figura: encontrar para transmitir, aprender para ensinar e receber para servir.

Então, ECUMENISMO, não sectarismo e tolerância de religião são as principais lições de Santo André. Plenamente condizente com o que dizia Thoth, os Expectantes devem apoiar todas as Igrejas, todas as Religiões, porque todas têm seu Anjo e todas são boas. Nenhum homem deve ditar o que o outro deve acreditar.

Essa mensagem se adapta com incrível propriedade aos dias de hoje, época de cancelamentos e cultura woke trabalhando incessantemente para destruir as bases da civilização judaico-cristã, bem como apagar a noção da existência de um Ser Superior, criador de todas as coisas, como ocorreu, por exemplo, com as crianças chinesas nascidas a partir de 1949.

Quando Santo André aderiu aos passos do Senhor, Jesus o avisou de que o estava enviando como ovelha para o meio de lobos. Que os Sacerdotes, Noviços e fiéis da Igreja Expectante, que os Cavaleiros d’A Grande Ordem dos Cavaleiros de Philippe de Lyon não tenham a ilusão de pretender encontrar apenas facilidades na medida em que progridem nos estudos. O Patriarca e Grão-Mestre Thoth não nos deixava esquecer que “quanto mais elevada a criatura, mais as sombras se esforçam para se projetar sobre ela, mais sutis se apresentam as provas”. André não deu meia-volta mesmo sabendo que seu destino seria imitar o Cristo, condenado à crucificação. Sabendo disto, continuamos dispostos a entregar nossa alma ao Alto?

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