Conferência proferida pela Venerável Irmã LORELAIR, S:: I:: (nome místico de Emma Costet de Mascheville), em 13fev1944, em plena 2ª Guerra Mundial, por ocasião da instalação do retrato do Venerável Mestre CEDAIOR no Templo da Loja “VIVEKANANDA” (Porto Alegre – Brasil)
Há algum tempo, quando Cedaior ainda era — fisicamente — nosso irmão e companheiro de jornada, eu havia começado a ministrar aqui uma seleção de conferências do filósofo persa Iranschaehr, a quem ambos veneramos muito.
O título da última era: “A necessidade do Esoterismo em nossos tempos”. Falava da gravidade do atual momento, dos perigos que ameaçam a nova geração, se não chegássemos a dar-lhe, sob nova forma, as velhas doutrinas e a antiga sabedoria, de maneira que unisse a ciência com a religião e que satisfizesse, simultaneamente, a razão e o coração. Muito me agradou fazer essas palestras, pois foi um modo de apresentar aquela que é nossa própria convicção — e o que considero a missão de Cedaior — servindo-me de palavras de terceiros.
Inicialmente, dado que a primeira condição do espiritualismo esotérico é a tolerância e a compreensão de nossos semelhantes, sem as quais a Fraternidade, virtude de futuras épocas, não poderá realizar-se.
Eu ia traduzir a segunda parte de tal trabalho quando fiquei emocionada ao verificar como ela parecia falar de Cedaior e de sua Missão. Não poderia ler tal conteúdo sem falar dele, de seu ideal — ideal que juntos tínhamos abraçado — mas temia que, ao falar de sua missão pessoal, fosse interpretado como proselitismo, e… me calei. Mas quando Cedaior nos deixou — neste plano — e agora, que cada dia vejo realizar-se algo do que ele nos ensinou, creio poder ler esta parte e falar como discípula, sem receios. Seguirei, pois, do ponto em que deixáramos o tema:
Os Guias do Esoterismo
Diz Iranschaehr:
“A Gratidão para com Deus e os Mestres é a segunda obrigação em toda escola esoterista. A gratidão para com Deus mostra-se pelo Amor Divino em todas as nossas palavras, ações e pensamentos. A caridade ativa é o melhor meio de provar nossa gratidão para com Deus.
Gratidão para com os Mestres: provamo-la pelo reconhecimento de sua dignidade e de seu sacrifício, seguindo suas palavras e exemplos.
Já, desde o início da cultura humana, e até hoje, existiram sempre almas que, em evolução espiritual, haviam subido mais alto que suas irmãs. Essas almas estavam adiantadas sobre sua época; já possuíam em si as sementes dos futuros estados de cultura. Conheciam as leis e a verdade que, para os sentidos de seus contemporâneos, eram ainda inalcançáveis.
Suas forças psíquicas eram mais desenvolvidas e seus olhos espirituais estavam mais abertos. Seu intelecto era relativamente mais livre e mais dotado de Consciência Cósmica do que nos demais.
As cordas da harpa de seu Coração eram tão sutis, tão sensíveis e afinadas, que elas puderam sentir e deixar ressoar as vibrações mais delicadas do mundo espiritual. Elas haviam feito de seu coração, através de múltiplas encarnações, um sensível disco no qual as imagens divinas das esferas superiores podiam gravar-se.
Tais almas foram sempre os precursores da nova era, aquelas que traçaram a senda para novos ideais e culturas mais evoluídas. A estes mensageiros da Luz espiritual ficou sempre a humanidade devedora em alto grau. Suas vidas e ações ficaram — por séculos — incompreensíveis ou misteriosas para seus contemporâneos. Quantas vezes sacrificaram suas vidas, essas almas, para a expansão de ideais divinos?!?
É no século vindouro (XXI) que a humanidade viverá sua ressurreição, e muitas leis novas serão ainda ensinadas, e muitas forças espirituais serão dadas, que a humanidade de hoje não poderia suportar nem compreender. Por exemplo: a recordação das vidas passadas…”
Deixemos, agora, o texto do Mestre Iranschaehr, pois chegamos ao ponto que se refere a Cedaior: Novas leis serão ainda ensinadas e novas forças espirituais serão dadas à humanidade, proporcionando-lhe, entre outras qualidades: a recordação das vidas passadas. Isto é, precisamente, o que se encontra no “Livro das Leis de Vayú”, que Cedaior considerava sua obra principal. As novas leis científicas e psíquicas, que explicam o desenvolvimento de uma nova raça humana, cristalização e síntese das raças do passado e a que povoará o sexto Continente.
Tal sexto Continente já se ergue no Oceano Pacífico; há poucos dias tivemos a prova desta teoria de Cedaior, agora aceita pela ciência oficial; o último terremoto de San Juan, na República Argentina, como a maior parte dos que ocorrem no Oeste do continente, foi tectônico e não vulcânico. Isso significa que tais terremotos ocorrem por grandes “vazios” que se produzem no interior da Terra, como consequência de levantamentos ou erupções acontecidos em outros lugares, provavelmente perto do lugar do terreno tectônico, o que, no caso citado, não se notou por ser provavelmente dentro do Oceano.
Em verdade, assistimos a um espetáculo grandioso da natureza. Enquanto por um lado há a derrocada de civilizações e povos e grandes modificações na superfície terrestre, causando tais movimentos sísmicos, um novo continente está surgindo, perto de nós, e os sofrimentos de todas as nações trazem às nossas praias famílias do velho continente.
À raça que povoará o Continente Pacífico, Cedaior chamou — por indicação de seu Mestre — Raça Olímpica, porque é “ali e nela que reencarnarão todas as poderosas Entidades que formaram outrora os Olimpos das várias Religiões do passado”. Nela, que se chamará a Grande Raça, como o 6º será o Grande Continente, voltarão todos os Mestres Adeptos, Apóstolos e Grandes Iniciados, e essa raça representará uma mais elevada e bela expressão da vida humana.
Alguém perguntará: De que nos interessa o que passará depois de séculos ou milênios?
Interessa-nos porque, neste continente, nasce atualmente a sub-raça da Quinta Raça Raiz que dará os precursores da Sexta, e que por isso se chama Sub-Raça Olímpica Primitiva, ou pré-Olímpica. A estrela de 5 pontas é o símbolo que representa o homem da 5ª Raça, ou de mente concreta. A estrela de 6 pontas representa a 6ª Raça, o homem de mente abstrata, dotado com o 6º sentido, e, na Cabala, “6” é o Amor e o Altruísmo.
Já que somos os “últimos” da quinta e os precursores da sexta, devemos ter realizado faculdades da 5ª e tratar de desenvolver em nós a mente abstrata. Segundo a lei que Cedaior explicou em seu livro, nem todos somos ainda conscientes da mente abstrata, mas cada vida “atual” nos dá a possibilidade de lançar os alicerces. Será seguramente pelo Amor e pelo Altruísmo, e por isso não há máxima mais elevada para ajudar-nos a seguir adiante no Sendero da Evolução do que aquela tão simples e tão grandiosa… e tão difícil de realizar sobre a Terra: AMAI-VOS UNS AOS OUTROS.
