O SARVA era, em
seus últimos meses, naquele corpo físico, um yogue acentuadamente
pautado nos ensinamentos de Philippe de Lyon. Um Martinista, um
GRANDE iniciado, sempre extasiado pela doutrina do “CRISTO” e
sabiamente Honesto, Humilde e Honrado (Os três H's).
Possuía/possui um percentual muito baixo de orgulho e muito alto com
relação a sua fé no CRIADOR. Curou inúmeras pessoas de enfermidades
físicas e espirituais, além de formar um regimento de professores de
yoga e sempre colecionando amigos sinceros!... Seu esquife desceu
numa manhã maravilhosa de céu completamente limpo e em tons do mais
puro azul. Pude
registrar parte dessa trajetória de vida em fotografia, áudio e
vídeo para a posteridade e possíveis dúvidas sobre o trabalho de meu
amigo SARVA!
Em Belo Horizonte,
passou sua última noite hospedado em minha casa, como em muitas
outras ocasiões. Fui eu que chamei o táxi para levá-lo ao aeroporto
em seu último embarque rumo a Curitiba. Conversamos por telefone no
dia anterior a sua cirurgia. Hoje mantenho minha ligação com ele em
tons mais claros ainda...
Sua admirável
discrição era/é ponto primordial para executar sua “FUNÇÃO”!
Gostava/gosta de referir-se a cada encarnação como uma “função” e
não no sentido lúdico “missão”...
Viveu/vive focado no
trabalho... Sua Fé era/é facilmente notada pelos seus atos e
percebida pelos seres mais sensíveis.
Como Philippe de Lyon
dizia: “-Quando formos nada seremos o início”...
Então Sarvananda criou
seu trocadilho: “-Podem me chamar de Sarva “nada”.
Sabia/sabe que somos
um ponto de poeira no universo, mas que podemos interferir com
relevância através de nossos pequenos atos e pensamentos.
Aí sempre me lembro
que ser “nada” ainda é ser menos que ninguém... As grandes almas
vivem fundidas no Todo, eliminando a palavra “EU” de seus
vocabulários. Ele sempre evitava dizer a frase “Eu sou”...
Profundo conhecedor
das sabedorias Oriente x Ocidente, focou seu trabalho com o público
batendo nas teclas do “DESAPEGO” e do “SILÊNCIO MENTAL”. Usou vários
livros e deixava transparecer mais acentuadamente sua maestria
quando dissertava sobre a Era Aquariana / “Leis de Vayu” / “Philippe
de Lyon” / e “O Homem, esse conhecido” ...
Sob a batuta de Léo
Alvarez Costet de Mascheville (Mestre Sevãnanda), levou/leva de
peito aberto e em alto e bom som a disciplina de MAHATMA GANDHI – A
NÃO VIOLÊNCIA...
Grandes diálogos
eram/são intercalados por dias de silêncio, mas riquíssimos de
percepções das mais variadas formas...
Obrigado, MESTRE
SARVANANDA, por iluminar caminhos e por trabalharmos ombro a ombro!
SARVANANDA EM
MINHA VIDA
Sandra
Magalhães
Um
ser único, que me acompanha até hoje na minha estrada, com sua força
luminosa, irradiando em meu coração todo amor, sabedoria, alegria,
proteção e ajuda em toda a minha caminhada!
Quando ele celebrou, no Ritual Expectante, o meu casamento com o
Luiz, senti esta energia em toda a sua intensidade, todo o amor
vibrando no meu anahata e espalhando-se pela sala e todos os
presentes sendo agraciados por este momento especial!

Era
um fim de tarde lindo e, ao som de um piano e um violino, recebemos
a sua bênção com um infinito abraço que hoje, tenho certeza, vai
além das estrelas e brilha pra sempre em nossos corações!
Com alegria, brindo
este momento.
MOMENTOS MARCANTES
Luiz Marques
Estávamos por volta de
1982, eu imerso em uma profunda, insistente e desoladora depressão.
Procurava, talvez, a última chance para encontrar a saída para esse
mal que inundava todo o meu ser já por quatro longos anos.
Com Sandra levando-me
pela mão, chegamos na Mãe d´Água, comunidade espiritual e
alternativa que fora fundada pelo Mestre Sarvananda, professor
pioneiro no ensino e prática da yoga em Minas Gerais. Ouvimos falar
deste lugar através de um amigo, que estava se recuperando do uso de
drogas e nos falou que a Mãe d´Água era um lugar mágico e que muitos
se recuperavam de doenças e transtornos psicossomáticos se lá
ficassem morando e trabalhando em contato com a natureza.
A vida lá não era
fácil: levantar às 5h00 da manhã, às 5h30 tomar banho em um poço de
água gelada de cachoeira, às 6h00 entrar para a sala de yoga
e depois de uma abençoada e pesada prática conduzida pelo Sarva
saíamos dali para o desjejum que era pão com mel e chá ou, na
maioria das vezes, um mingau de alguma coisa que não dava pra saber
o que era.
Logo em seguida o Bakthidasa,
dileto discípulo do Sarva, distribuía as tarefas do dia para todos
os homens e mulheres presentes. Logo no primeiro dia coube à Sandra
lavar panelas e formas de assar pão em uma espécie de pia comprida
em que a água, vinda da cachoeira, corria sem parar por vários canos
fixados na parede e nos quais a Sandra sempre corria a mão para
fechar uma inexistente torneira, o que fazia a todos morrer de rir.
A mim, infelizmente, foi dada a tarefa de lavar uns três
balaios repletos de panos sujos de carvão provenientes da lida no
grande forno à lenha que gerava pães integrais maravilhosos. Tarefa
esta que milhares de pernilongos atacando minhas costas e pernas
insistiam em dificultar sem dar tréguas.
Assim os dias foram se
passando, mas dentro de mim nada mudava e o sofrimento parecia não
ter fim. Eu procurava uma oportunidade de conversar com o Sarvananda.
Num dia bonito, ensolarado, fui designado para plantar milho e
feijão em um extenso morro que já fora preparado para receber as
sementes e, quando comecei minha tarefa na parte de baixo desta
grande área de terra inclinada, vi, para minha surpresa, o Sarva lá
em cima, do outro lado, bem longe, também plantando, com sua bela e
indefectível fita branca na cabeça amarrando sua vasta cabeleira.
Pensei comigo: é hoje que falo com ele, pois eu andava em sentido
contrário ao dele, subindo o morro, e ele vinha descendo. Nosso
encontro era inevitável. O Sarva já havia percebido que eu o fitava
desesperadamente, pois verdadeiramente eu colocava minhas últimas
esperanças em algo muito importante e significativo que me fosse
dito por aquele homem, pequeno em estatura, mas com algo incomum que
o tornava imenso aos meus olhos.
Enfim, quando na mesma
fila de plantação nos encontramos lado a lado eu disse a ele:
- Sabe, Sarva, eu
estou sem forças para viver e tenho um problema de depressão muito
grave e não há nada que acabe com esta angústia que me destrói até a
alma.
Ele me olhou
profundamente nos olhos e disse, com uma autoridade indescritível:
- Você não tem nada
não.
Chegou mais perto e
com três tapinhas leves na minha barriga finalizou:
- É só batata.
Virou as costas e
continuou plantando rapidamente como vinha desde que o vi, lá em
cima do morro.
Eu senti algo muito
estranho assim que tocou em mim, uma espécie de desconhecido e
grande alívio.
Passei a acreditar em
suas palavras e que eu não tinha nada e que meu problema tinha
solução.
Entendi que "batata"
era tudo de ruim que eu ingeria, alimentação errada, cigarro,
álcool, drogas, pensamentos e sentimentos negativos em demasia.
Resolvi mudar meus
hábitos e, a partir daquele momento, comecei o caminho da cura
definitiva desse longo processo depressivo que tive.
Depois disso melhorei,
voltei à Mãe d´Água várias vezes e coisas incríveis aconteceram
conosco naquele lugar mágico, onde este Grande Mestre exerceu com
magnitude seu imenso altruísmo, curando, junto com sua esposa Daya,
muitos indivíduos que lá chegavam com todo tipo de problemas
físicos, mentais e espirituais.
A vida do Sarva foi
dedicada ao próximo, como é a vida dos Raros Seres cuja alma é tão
grande que não cabe neste mundo e não passa um só dia em que eu não
me lembre dele com o coração eternamente agradecido...

O SACERDOTE
SARVANANDA
Neide Alves Durães
Sarvananda é o grande
marco desta minha existência, assim como para centenas de pessoas
que tiveram a felicidade de encontrá-lo. Desde o nosso primeiro
contato, na década de 80, que o seu trabalho e ensimentos estão
sempre na minha vida.
Foi muito marcante a forma como fui iniciada no "Caminho Sarva". A
primeira pessoa que conheci foi "Mãezinha Sádhanã, na sua sala de
meditação "Rosa de Luz", no bairro Mangabeiras. Fui lá encontrar com
Lenita para começar a praticar yoga para gestante, pois já estava no
6º mês de gravidez, do Camiran.
Foi surpreendente e maravilhoso estar diante da Mãezinha
e participar da meditação. Daí para frente todo o Caminho Sarva foi
se revelando gradativamente para mim, com muitas mudanças, luz,
alegria, esforço e transformação.
Em 17 de fevereiro de 1991, Sarvananda celebra e abençoa
meu casamento com Gilson, também discípulo dele. Naquele mesmo dia
fomos batizados na Igreja Expectante. Quando Naline Sádhanã estava
com 3 meses, Sarva reinicia os cursos de formação de professores de
yoga. Eu e Gilson fizemos o Curso de Formação levando junto a Naline.
O Sarva nos deu essa grande oportunidade e acolheu nosso bebê com
todo o carinho. Esse contato mais intenso com ele foi algo realmente
transcendental. Como dizia a Mãezinha, "fantástico".
A cada filho, que são três, abria-se uma nova perspectiva para nós
nesse caminho de luz. Quando Ananda nasceu, começamos a "Escola
Iniciática", com os encontros semanais, riquíssimos.
Sarva e Daya são realmente os nossos pais espirituais. Muitas
pessoas olham o retrato deles, no Núcleo de Yoga, e perguntam se são
nossos pais. Claro que são!
Eles foram muito presentes na criação dos nossos filhos pequenos,
deram muito colo e carinho para eles. Teve época em que todos os
domingos à tarde passávamos na casa deles, antes de irmos para o
sítio em Moeda, onde morávamos. Era quando recebíamos importantes
instruções. E mesmo não estando fisicamente presente, isso tudo
continua sempre...
É maravilhoso perceber a profundidade e a eternidade dos laços, como
discípula, amiga e filha espiritual. Saber que o "Labor" e o
aprendizado não param, é um movimento constante em todos os planos.
Está tudo gravado de uma forma IMPRESCINDÍVEL E ESSENCIAL.
Sarvanada é um Grande Farol de Amor, Luz e Consciência.
Dirijo a ele todo o meu amor e gratidão.
SARVA, MÃE D’ÁGUA E EU
Lenise Olive
Falar
sobre meu Mestre Sarvananda é tentar falar sobre uma “Estrela Guia”,
pois como ele mesmo dizia, a sua missão era tentar levar as pessoas
que estavam abertas e prontas no largo caminho, para um mais
estreito, até o início da “ponte”, onde elas teriam que fazer a
travessia sozinhas, e do outro lado encontrariam outro Mestre que as
conduziria na grandiosa subida da montanha!
Imenso amor ao próximo nesta gloriosa missão de ir e vir na larga
via, retirando as pedras do caminho e levando pessoas até a “ponte”
para depois retornar e realizar tudo novamente. Só as grandes Almas
são capazes disto!
Gostaria de falar de como conheci meu Mestre, pois é como um
agradecimento por tudo o que recebi dele, e também de pessoas
especiais que conheci através dele, que foram ou são um exemplo de
Vidas dedicadas a ajudar o próximo.
Morávamos em Niterói e, em 1982, na Revista Planeta, li uma
reportagem sobre “Comunidades Alternativas” onde era mencionada a
Fazenda Mãe D’Água, nas proximidades de Belo Horizonte, sendo seu
dirigente o Swami Sarvananda e sua esposa Daya.
Naquela época ainda estava casada com o pai do meu filho Bernardo, e
começamos a manter contado por cartas com nosso querido “Sarva”
(chamado assim carinhosamente pelos mais próximos), onde trocávamos
idéias, recebíamos conselhos e as Instruções Probatórias da
Iniciação Espiritual dirigida e orientada por ele, seguindo as
diretrizes de seu Mestre, Swami Sevãnanda.
Um
dia, recebemos uma carta onde ele nos convidava para sermos
residentes na Comunidade Alternativa Mãe D’Água.
Lemos
e relemos aquela carta e milhares de pensamentos e sentimentos nos
sacudiram interiormente. Queríamos ir, era o chamado que tanto
esperávamos, mas largar tudo, trabalho, família, casa... Não foi
fácil decidir e, depois de meses, tomamos coragem e, impulsionados
pelo chamado dos nossos corações e almas, fomos com nossa pequena
mudança e nosso filhote Bernardo, de meses, morar na Mãe D’Água,
para assombro dos familiares e amigos que não conseguiam entender
aquela “loucura”, segundo eles.
Ficamos instalados num quarto, no Alojamento, até que pudéssemos
construir nossa casa. Acordávamos antes do raiar do sol para
atividades de meditação e Yoga e o trabalho durante o dia era
intenso, mas sem nunca ser cansativo ou monótono. Tínhamos horários
de orientação espiritual, práticas de Yoga, trabalhos para nossa
manutenção, e cuidávamos das pessoas que iam para lá com o propósito
de cura através das terapias alternativas.
Tudo era aprendizado!
Morar
na Mãe D’Água até quase o final da Comunidade, como residentes, e
conviver diariamente com nosso querido Mestre Sarvananda foi um
presente dos mais preciosos que tive.
Sempre presente na minha vida, como Mestre e amigo por anos e anos,
até a sua passagem para o outro plano, e graças a Deus e aos
Mestres, pude ir, juntamente com meu filho Bernardo, ao seu velório
em Curitiba para o último adeus ao seu corpo físico, pois Sarvananda
está presente na minha vida muito intensamente até hoje, me
orientando e me ajudando no que é permitido e possível. Qualquer
agradecimento a ele é muito pouco pelo que tive e tenho recebido
desta Grande Alma que sempre trabalhou para auxiliar o próximo.
O SARVA COM QUEM
CONVIVI
Ischaïa
Quando casei com o
Thoth fui a Belo Horizonte e conheci muitas pessoas. Entre elas, o
Sarva. O primeiro encontro foi em sua sala, na rua Goitacázes. Nunca
havia entrado em uma sala de Yoga nem conhecido nenhum Swami. Tudo
era novidade. O maravilhoso aroma, a beleza e simplicidade da
decoração, a quantidade de fotos e o professor...
Sarva de pés
descalços, longos cabelos que a toda hora arrumava para trás das
orelhas, um olhar penetrante, uma voz firme com sotaque... Nos
recebeu amavelmente e com um abraço muito forte nos levou para uma
salinha ao lado...
Eu muito tímida, não
entendia direito o que falavam.
Depois desse dia nos
encontramos muitas e muitas vezes, nos hospedamos em sua casa e
tivemos o prazer de tê-lo conosco aqui em Guarapari-ES.
Participei de dois "TBs"
e de muitas cerimônias, palestras, reuniões... Conheci a Mãe D’Água,
sua esposa Daya e seus lindos filhos.
Sarva para mim era o
amigo do Thoth, uma pessoa que sabia dosar o seu lado rígido com um
lado maleável, sério e brincalhão. Tinha o dom de transformar um
pedaço de madeira em uma obra de arte. Em suas mãos um lápis e uma
folha de papel era o suficiente para fazer dele um artista.
Sua simplicidade
era seu cartão de visitas. Não ostentava nenhuma vaidade, arrogância
e empáfia. Quando Náyade, pequena, o chamava de "tio Sarva", ele
retrucava "tio Sarvanada".
Esse foi o
Sarva que conheci e aprendi a gostar, de quem tenho muita saudade e
boas lembranças.
SARVANANDA: O GUARDIÃO
DO MONASTÉRIO
Thoth
Após conhecer o Mestre Sevananda e tê-lo recebido em
Guarapari, fui convidado a conhecer o Monastério AMO+PAX. A minha
chegada foi o primeiro encontro com o Sarvananda.
Ao avistar do morro o Monastério, desci fazendo o maior
alarde, businando a minha camionete.
Demorou um pouco e apareceu um rapaz magro, cabelos
compridos contidos por uma tira branca, com ares de poucos amigos.
Explica-se: era dia de silêncio no monastério!
Esse foi o meu primeiro contato com o Sarvananda. Com minha
chegada tonitruante, na hora do almoço, o Mestre liberou a todos do
compromisso. ”Já que esse cara chegou fazendo barulho, estão todos
dispensados do voto...”

O fato mais hilariante de nossa convivência foi que o Sarva
e a Daya vinham para Guarapari em lua de mel trazidos por mim na
minha camionete. A viagem levou quatro dias, devido às fortes chuvas
e atoleiros. As peripécias daqueles dias eram lembradas com muito
riso pelos protagonistas, inclusive Mãezinha, que vinha junto,
fazendo as vezes de sogra.
Minha relação com Sarva sempre foi de muito respeito e
consideração. Havia entre nós um pacto de apoio e colaboração
mútuos. Esse pacto não se desmanchará jamais, pois foi firmado por
dois irmãos provenientes da mesma família espiritual.


