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Por Marcelo Geaquinto de Melo (Fashi Lu Tsu Tai Shan)
Na noite da minha
Ordenação Sacerdotal, véspera do dia dedicado à
Santa Joana D'Arc, uma mulher cristã autêntica e
guerreira, tive muitas percepções interiores as
quais guardei em meu coração, como convém a um monge
fazer. Mas externei minha nítida experiência da
presença dos anjos durante o rito. Senti o farfalhar
das asas dos anjos, e a presença forte e sutil, ao
mesmo tempo, do Venerável Mestre Sevãnanda
abençoando aquele momento sagrado.
Ter recebido a Eucaristia das mãos da Matriarca Ischaïa e de seus jovens Acólitos trouxe grande contentamento e conforto a minha alma, pois já haviam se passado muitos anos desde que, consciente e livremente, pude receber os Sagrados Pão e Vinho. Ter sido consagrado Sacerdote Expectante através das mãos da Senhora Ischaïa me encheu de enlevo espiritual, porque minha mente rapidamente se reportou à Venerável Mestra Cátara Esclarmonde de Foix, com quem sinto grande identificação interna pelo exemplo de Cristã Gnóstica dedicada à vivência autêntica do Evangelho de Simplicidade, Oração e Amor ao próximo. Após a unção sacerdotal, ainda estava meio que enlevado pelas minhas percepções e sensações e, com o passar dos dias, fui me dando conta da grandeza do que havia acontecido comigo. Como é comum acontecer a monges, quando somos tocados pelo Transcendente em determinados momentos de nossas vidas, a tendência é buscarmos o silêncio para introjetar as graças que recebemos, e refletirmos sobre a melhor maneira de correspondermos como se deve ao Amor do Divino por nós, para nós e através de nós. Tenho desde então meditado sobre o Dom do Sacerdócio que recebi naquela inesquecível noite de 29 de Maio, e entendo "Sacerdócio" como mais um dos muitos exercícios de serviço espiritual que há dentre os carismas com que somos agraciados pela Generosidade e Bondade Divinas. E,
de acordo com o meu falho entender, este serviço
espiritual, devo vivê-lo na humildade, quietude, sem
alardes, barulhos e considerações superficiais,
egóicas ou inoportunas. Quero, a despeito de todas
as minhas presentes limitações, me esforçar para
servir bem ao Matriarcado da Igreja Expectante, no
espírito do que os Veneráveis Patriarcas anteriores
nos legaram.
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