O HINO
DA COMUNHÃO EXPECTANTE
Carta Aberta ao
Patriarca Thoth
Por Geraldo Lino da Silva, Sacerdote Expectante do 2º Grau
Amado Mestre Thoth:
Chegou
o dia. Quero repartir contigo esta grande emoção. Tua espera de quase
três décadas acabou. Ficou pronta a versão revista e atualizada do HINO
DA COMUNHÃO EXPECTANTE, aquela melodia que embalou teu último alento,
entoada pelos teus, no leito de despedida.
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AQUI PARA OUVIR.
Vou te contar como isso foi possível. Em outubro de 2010, tua querida
companheira e sucessora veio a Santa Catarina. Na bagagem, a Matriarca
Ischaïa seguiu tua cartilha: agenda lotada, muita disposição para o
labor espiritual e, de quebra, algumas fitas K7. Uma delas, velhinha,
mas bem cuidada, com tua caligrafia no rótulo, informava: "Hino da
Comunhão Expectante". (Ver
matéria publicada na época).
Iniciava-se ali, Thoth, o resgate técnico e, por que não dizer,
arqueológico, desta que é das mais belas passagens na história da
Igreja. Naquela noite de primavera, Ischaïa abriu o baú de memórias e
contou que tu adoravas este hino, composto pelo Expectante e Cavaleiro
Aderson França, mergulhador da Marinha, ainda nos tempos em que teu
apostolado tinha uma das bases em Natal-RN. Que uma das características
sempre ressaltadas por ti neste maravilhoso tributo era a VIBRACIONAL,
pois o autor tinha, palavras tuas, "captado o real sentir sacerdotal do
Ritual Expectante". E que, além de tudo, "o Hino era fácil de cantar,
para a gente simples, os fiéis sem treinamento musical".
Digitalizado o conteúdo da fita (
ouvir
a gravação original), ressuscitado o áudio arranhado e
abafado pelo tempo, e na impossibilidade de localizar o Aderson para
restaurá-lo, apesar de todas as tentativas, veio a busca pelo agente do
invisível, alguém aqui na Terra que se dispusesse a assumir a tarefa de
rearranjar e regravar a obra.
Thoth, no silêncio em que aguardei os sinais do Céu, em 23 de novembro
de 2009 reapareceu em minha vida o violonista clássico Ananias Almeida,
que havia, cinco anos antes, executado, em meu casamento, no momento da
entrada do noivo, a Bachianinha Nº 1, de Paulinho Nogueira (1929-2003).

Na hora em que ousei fazer o convite, preveni a esse baiano de Lençóis
criado em Montalvânia, norte de Minas, radicado em Santa Catarina desde
1976, que tratava-se de um trabalho voluntário. Pois, Mestre, o
consagrado artista, mesmo em meio a ensaios e à agitação do lançamento de seu
terceiro CD, topou a parada imediatamente. E Ananias não só pôs seu
dedilhado mágico no Hino, como também arregimentou parceiros para este
resgate: Adílson do Nascimento emprestou a voz. Marcelo Vieira tocou
órgão e operou a mesa. A gravação foi feita na sexta, 26, no
Área Studio (emblemático nome, diria o Mestre Cedaior), no findar da
Quaresma, tempo de Ressurreição.

Curioso, Mestre, é que Ananias Almeida, 60 anos de idade, 33 dedicados à
música erudita, diz que adotou esse nome artístico por minha causa, pois
assim eu a ele o teria sugerido, na época do casório. Curioso, não?!?
Patriarca Thoth, já que tu estás aí ao lado dos Grandes, por favor, rogue
a Eles para que olhem por estas caridosas criaturas humanas que
aceitaram servir a esta pequenina Igreja.
Na manhã desta segunda, 29 de março de 2010, ao entregar o CD, Ananias
contou que o nosso Hino da Comunhão é seu primeiro e único trabalho
dirigido a ajudar uma instituição religiosa. Demonstrou ter gostado de
viver a experiência... E frisou: "Está todo dentro da métrica. Fiz
questão de atentar para isso porque, um dia, se um coral for cantá-lo,
não haverá dificuldades". Que os anjos te ouçam, Ananias, e que os
Mestres derramem suas bênçãos sobre ti e todos os colaboradores.
Thoth, vou encerrando por aqui, mas não sem antes pedir que repare como
o Ananias mexeu o mínimo necessário e não adulterou a essência da
melodia original. Assim o Aderson, esteja onde estiver, pode ficar
novamente orgulhoso, pois sua criação foi respeitada e valorizada.
Confesso, Thoth, que ao ouvir hoje, pela primeira vez, esse "novo" hino,
em Mi Maior, vieram-me lágrimas de gratidão e a lembrança de toda a sua
luta, todo o seu amor pelas "cousas" da Igreja, e a certeza de que a
ajuda lá de cima se materializa aqui neste plano, sobretudo porque nada
é capaz de deter a vontade animada pela emoção. No dizer do próprio
Ananias, "a face de Cristo se revela nas pessoas".
