Enamorar-se
Por Ischaïa, 4ª Matriarca Expectante
Quando
alguém se enamora, todos ao seu redor percebem. A pessoa fica com um ar
de felicidade e plenitude.
Quando se apaixona, o
indivíduo fica obcecado. Nada o interessa a não ser o objeto de sua
paixão.
Mestre Sevãnanda e Thoth usavam muito este recurso para exemplificar
como deve ser a relação do discípulo com a obra. Thoth dizia que
o verdadeiro Expectante devia enamorar-se da obra.
O enamoramento envolve compromisso do ser para com ele mesmo e para com
o outro. É sentir vontade de estar perto, de ver, dedicar-se, oferecendo
o melhor de si. Estar disponível, se não com a presença física, mas em
sentimento e espírito. Qual o enamorado que deixaria de estar com a
amada, que só encontra uma vez por semana, para fazer outra coisa? O
enamorado muitas vezes sacrifica um desejo pessoal para satisfazer uma
necessidade da amada.
A Igreja Expectante, no decorrer desses últimos trinta anos, teve muitos
apaixonados, que viveram e vivenciaram essa paixão. E, como toda
paixão, foi intensa, mas de pouca duração. Juras e promessas de amor
eterno, entusiasmo e dedicação às vezes exagerados. Mas, “como sói
acontecer”, logo o tempo demonstrou que o que eles procuravam, fosse lá
o que fosse, não os satisfez, e a paixão foi por água abaixo. Esse é o
amor do HOMEM-BOI. Aquele que quer a satisfação de seu anseio segue,
como o boi, a tropa e o boiadeiro. São aqueles que entram porque o amigo
entrou, porque achou bonito.
A Igreja também teve o “amor” do HOMEM-LEÃO, ansioso por ser sacerdote,
ter mais um certificado para sua vasta coleção de diplomas e
credenciais, desejando acrescentar mais um passo na sua longa jornada,
onde peregrinou por várias ordens. Vaidoso de suas buscas, às vezes, se
enamora verdadeiramente da obra e fica.
Uns poucos HOMENS-ÁGUIAS, conscientes, que já extraíram a pureza de tudo
que viram e viveram, amam e abraçam sua amada, lutam a seu lado e
permanecem. Assim, o enamoramento evolui para o amor INTEGRAL.
